No país do ordenado mínimo de 600€
A disfuncionalidade radical de Portugal revela-se através da comparação do preço da habitação (um direito consagrado constitucionalmente) com o salário mínimo nacional. O problema do atraso crónico de Portugal, mascarado por muito marketing e folclore, assenta numa desigualdade educacional e cultural que facilita todo o género de corrupção institucional, pois é imensamente fácil controlar um povo labrego, anestesiado pelo futebol e programas de televisão rascas.
Olhando-se para muitas turmas de muitas escolas portuguesas, percebe-se que dificilmente o país irá evoluir, aliás, percebe-se que o país só pode regredir. Nem sequer será necessário falar no caso dos CEF (ou na generalidade dessas turmas), em que o Estado se demite de uma formação em contexto profissional, para atirar para cima d@s professor@s casos que não são passíveis de serem tratados no ensino regular, colocando em risco a própria integridade física d@s docentes, pois a psicológica há muito que já está em risco. Os CEF são um hipócrita simulacro de integração no sistema de ensino regular dos casos sem solução no contexto do ensino regular, que só poderiam ser "salvos" num contexto fora do ensino regular, com formação em contexto de "vida real". Se a educação, que pode ajudar a reduzir as desigualdades, fosse uma preocupação real, já há muito que existiria um sistema de ensino paralelo, com parcerias com as forças armadas, que têm vários tipos de oficinas e atividades profissionais civis, que retirasse os alunos que bloqueiam o funcionamento eficaz do sistema educativo, colocando-os, em contexto profissional, para serem disciplinados e aprenderem uma profissão (sem prejuízo, de futuramente se candidatarem e frequentarem o ensino superior). Há alunos para os quais o sistema educativo regular não tem, de todo, soluções, alunos que bloqueiam sistemática e continuamente o funcionamento do próprio sistema, servindo de exemplo para os outros também "problemáticos", de como se pode bloquear o funcionamento do sistema, continuando a disfrutar plenamente dele, simultaneamente impedindo os outros de terem qualquer aproveitamento, aprofundando o insucesso dos colegas. Desta forma as desigualdades vão aumentar e chegará o dia em que os trabalhadores que agora recebem o salário mínimo (e os que recebem o salário mínimo são os que trabalham pois boa parte dos alunos acima referidos seguirão caminhos criminosos e/ou ilegais), serão substituídos por máquinas, e um país pouco produtivo como Portugal não terá meios para manter essa gente protegida por um sistema de segurança social efetivo. As desigualdades serão liminares e mesmo que a UE ainda exista, esses alunos portugueses não terão lugar em nenhum outro país, nem sequer nos trabalhos rudes e indiferenciados, no passado ocupados por portugueses: agora os países desenvolvidos têm muito melhor a quem oferecer os trabalhos indiferenciados, pois qualquer ex alun@ do ensino obrigatório de qualquer dos países que se juntaram à UE muito após Portugal, têm mais de "um milhão" de capacitações, para além de falarem fluentemente o inglês, que aqueles alunos portugueses, que, no futuro, só servirão para arrastarem Portugal para um novo período das trevas.

