O genro do antigo Presidente da República Cavaco Silva não tinha dinheiro, mas queria comprar a maior sala de espetáculos do país
O presidente da maior empresa portuguesa não queria patrocinar o negócio, mas o maior banqueiro português convenceu-o a dar 11 milhões de euros. Luís Montez ganhou o concurso para a compra do Pavilhão Atlântico. A decisão foi do Governo PSD/CDS. O caso está a ser investigado na Justiça. Há suspeitas de favorecimento, num negócio muito secreto e pouco transparente, até para quem o acompanhou na presidência do Conselho de Ministros.
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No limite do prazo para entregar as propostas de compra do pavilhão, o diretor executivo do BESI, assessor de Luís Montez, desdobra-se em telefonemas e SMS para Ricardo Salgado.
Horas antes, o então “dono disto tudo” já pedira mais detalhes sobre o negócio. Pelas 20:00, o banqueiro e o presidente executivo da PT têm a conversa decisiva.
No final, o contrato com a PT valeu 11 milhões. Um telefonema do “ex-dono disto tudo” matou o compromisso que a PT assumira com o consórcio concorrente.
Podia ter aberto um concurso público, mas o Governo optou pela negociação particular e as regras causaram estranheza. Os candidatos nem podiam anunciar que estavam na corrida.
Mais, ao contrário do que ditam as boas práticas, ao longo de todo o concurso as propostas em carta fechada nunca eram abertas à frente dos concorrentes.
Na reta final do concurso, e com o apoio da PT garantido, Ricardo Salgado liga ao assessor financeiro de Luís Montez para dar a boa nova: o consórcio de Luís Montez saiu vencedor.
Na reunião do Conselho de Ministros ficou a saber-se que o genro de Cavaco ofereceu 21 milhões e duzentos mil euros, Álvaro Covões 19 milhões, o grupo AEG ficou-se pelos 16 milhões e meio.
A escritura de 2013 mostra que foi o BES a comprar o Altice Arena que agora pertence ao Novo Banco.
As escutas do processo Face Oculta já tinham mostrado como o Governo de Sócrates tentou usar o genro de Cavaco para calar o Presidente da República. A PT comprava a TVI e o preço da paz passaria por entregar as rádios ao genro de Cavaco, mas o negócio não avançou.

