Nada vai mudar com a nova lei europeia do copyright?

Mentira! Veja-se, por exemplo, o caso do compositor César Morais. O "politicamente correto" da academia musical portuguesa eliminou-o, porque, veja-se o tremendo "erro", compôs em estilo "fora do seu tempo", "retrógrado", "reaccionário" *. Como as pessoas, segundo esta gente, não sabem avaliar por elas próprias e quem manda acha que deve ser eliminado, "apaga-se" (se estes portugueses conseguiram, ou quase, "apagar" completamente alguém com discos gravados, imagine-se o que estes crápulas não farão com os e as outras que não os bajulem...). Portugueses mediocres, perversos, corruptos e totalitários.

Graças ao youtube, tal como atualmente funciona, conhecemos algo daquilo que César Morais fez. Se a lei do copyright, como foi aprovada pelo parlamento europeu, se concretizar, tudo o que temos acesso do compositor pode ser removido da internet, pois tratam-se de materiais sob copyright e quem detém os direitos pode fazer que quem colocou online (no caso em que não foi a própria editora), remova, ou fazer que o Youtube remova, com grande prejuízo do interesse público e da própria verdade histórica. O mundo vai escurecer e Portugal, com uma economia terceiro mundista cada vez mais centrada no turismo, vai tornar-se num lugar ainda mais horroroso. De momento ainda podemos apreciar obras como esta ou esta

Mas sobretudo, o mundo pode ter conhecimento de compositores portugueses banidos pelo perverso e irrelevante meio cultural e académico português. Caso a lei do copyright, aprovada pelo parlamento europeu, seja aplicada, uma nuvem negra vai voltar a cobrir Portugal, que, de qualquer das formas, nunca deixou de por ela estar semi-coberto, pois as ténebras e a imbecilidade parecem fazer parte da "essência" do lugar... Na Europa sabemos bem que as nuvens negras facilmente se transformam em calamidades. Não é que Portugal seja Europa. A verdadeira Europa começa para além dos Pirinéus. Mas, com o seu nível de insustentabilidade e com "execuções" sumárias, como o caso de César Morais, Portugal arrisca-se a desaparecer,
não deixando saudades mas ressentimentos.

* estas acusações em Portugal são sempre perversas, pois os mesmos, ou parecidos, não hesitaram em encomendar uma pseudo-ópera a um amigo que compunha canções, sendo, o resultado, não só conservador e "atrasado", mas uma verdadeira trafulhice, pois, evidentemente, um "cancionetista" não sabe compôr uma ópera, nem nada que a isso se pareça. No entanto, o Estado, através do teatro de meia ópera, São Carlos, gastou 50 mil contos, à época (nos dias de hoje, se se acrescentasse a inflação, corresponderia bem mais que a 200 mil euros, que só por si são uma quantia elevada), com a referida porcaria, exatamente o mesmo Estado que nunca encomendou nada de relevo a Jorge Peixinho, o compositor português mais significativo da segunda metade do século XX.

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