Histórias de outro mundo

I

Quando acabou o bicharelato em inducação da infantada, pela COUTADA, o Livith já a tinha toda preparada. Foi ao Instituto Projet, em Maçã da Cavalaria (se agora diz que foi pelo Instituto Projet das Cainetas, será talvez porque como o da Maça da Cavalaria foi fechado a ferros, transferiram tudo para o das Cainetas)  e, veja-se bem, foi aceite diretamente no quarto e último ano do curso de formação de especialistas para o ensino da cantatata, de onde saiu, passado um ano, para o doutoramento em ensino da cantatata e teatrata, na Universidade da Salamandra. Mais dois anos e era doutor por extenso... Para consolidar a coisa (no lugar a cena das trespassagens consolida-se automaticamente no prazo de um ano, se ninguém contestar) foi à universidade mais velha do lugar fazer um pós doutoramento em teatrata, que não dá grau mas lava mais branco o cenário opaco da sua progressão acádemica, intrinsecamente ligada à sua progressão como professor quase imérito da COUTADA. Ora essa.



II

O violoncelista da orquestra sinfónica da alegria e felicidade juvenil foi despedido. Motivo: o administrador, o Biviktor, queria levá-lo para dentro dos seus lençóis. Não conformado foi falar com o maestro, o Cristo-hopher, que lhe transmitiu nada poder fazer pois o Biviktor era o administrador daquilo tudo. Decidiu então ir falar com o temido bloguer, Aleph. As instituições tremiam pois imaginavam que ás mãos de Aleph chegavam todos os números, todas as contratações, todos os honorários. Não sabiam como. Não podiam fazer nada porque Aleph só mandava palpites. Enervantemente reais. Neste como em outros casos Aleph exigiu um e-mail relatando o sucedido. O violoncelista pediu tempo. Já tinha acontecido no passado. Queriam que Aleph denunciasse, mas só lhe forneciam palavras. Neste caso havia a filha de um capitão da revolução, que estava com Aleph, quando o violoncelista o abordou. Mas Aleph queria a narrativa por escrito. Que, obviamente, nunca chegou.


III

É um monstro. O pai tem mêdo de subir quando não está a mulher, conta Notaria com uma expressão de horror. Senta-se aí nessa cadeira à espera da mulher, para não ir sózinho para casa, porque tem mêdo que o Janizé lhe faça alguma. O Janizé proclama frequentemente que se os pais fossem ricos os matava para herdar. O senhor Alderito * deixou de passar na rua com mêdo do Janizé, que provavelmente queria algo a que ele não acedeu, acrescenta Notaria, rematando de novo com "é um monstro".

Até aqui Aleph deparava-se com situações de terceiros. Esta dizia-lhe diretamente respeito e tinha de agir. Apresentou denúncia no ministeinho público. A Notaria já lhe tinha dito que tinha mêdo e que nada diria mas sempre pensou que na hora da verdade contasse tudo o que lhe tinha contado a ele, incluindo a cena em que o Janizé lhe tinha destruído as roupas em exposição, com ácido, porque ela recusou satisfazer-lhe um pedido, que ela nunca chegou a especificar. Aleph foi notificado que a Notaria tinha negado tudo e por isso exigiu uma confrontação dos dois na presença da delegada do ministeinho público. "O Janizé é um sujeito exemplar", proclama Notaria, "um dia emprestei-lhe vinte coroas e ele devolveu-mas, com um agradecimento", continuou Notaria, rematando com "nada tenho contra ele e nada disse, no passado, que contrariasse o que aqui estou a afirmar".

* um velho pedrasta com quem o Janizé se meteu, convencido que o pedrasta, que não tinha descendentes diretos, lhe iria deixar tudo o que possuía em testamento, Janizé, aparentemente bem pago pelos "serviços" prestados ao velho pedrasta, que, para além de dinheiro, provavelmente muito, lhe comprou uma viatura e lhe redigiu um projeto que valeu ao Janizé milhares de coroas de fundos da união germogreca, num ato de desperdício radical, bem típico da dita cuja união germogreca, pois o Janizé deixou falir o projeto, tendo o pai, que Janizé maltratava e aterrorizava, pago as dívidas que este
 deixou à segurinha chuchial. Ao perceber o erro do seu raciocínio, uma vez que não conseguiu convencer o pedrasta a deixar-lhe os bens em testamento, o Janizé passou a insultar e a ameaçar publicamente o velho, sem que ninguém ouvisse, visse ou, muito menos, se insurgisse.

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