Encontros da imagem de Braga: a insustentável leveza da charlatanice
Inauguram com um concerto (con quê?) de um kitsch que pensava inexistente nos dias que correm. Não me lembro do nome do sujeito mas lembro-me das colagens grosseiras de estilos, tipo copia coisa daqui coisa dali para chamar áquilo a música dele. As imagens que passavam nem tinham qualquer conexão com o som nem tinham qualquer conexão entre elas próprias. Uma aberração que jamais teria lugar, por exemplo, nos concertos ao ar livre, gratuítos, de instituições credíveis, porque, mesmo ao ar livre e gratuitamente, aquilo não passa nos critérios mínimos de qualquer instituição com decisor@s dotad@s de cultura auditiva mínima. Pois aqui, as e os espertalhões da GNRation cobraram 7 euros, exceto à gente dos encontros da imagem... Um exemplo de como no mundo da arte a charlatanice faz caminho fácil: vai-se buscar um DJ a fazer umas banalidades que soam sempre a qualquer coisa, ou uma série de várias coisas já ouvidas, ainda por cima daquelas que não perderiamos mais que dois minutos a escutar, e chamam-lhe artista. Fácil. E nos meios que decidem globalmente pode dar milhões. Isto daria evidentemente uma tese, não sobre quem promoveu, porque esses não valem mais que um parágrafo, mas sobre como alguns artistas "singram" no mundo da arte contemporânea. No entanto algumas artistas estrangeiras com quem conversei detetaram que aquilo é um embuste total. As portuguesas e as estrangeiras que trabalham para os encontros gostaram... É que uma formação musical básica séria só existe em alguns países e por isso confrontamo-nos também com artistas, ou assim se assumem, que consideram puro lixo como trabalho musical criativo. Tal diz-nos algo sobre esses artistas pois, mesmo sem essa formação musical básica séria, considero que, intuitivamente (Wittgenstein dizia que a Ética não se aprende: ou se tem ou se não tem. E como ele establecia um vínculo entre ética e estética...), deveriam sentir quando escutam algo consistente e interessante, mesmo que não seja inovador, e quando escutam lixo. Com a agravante de que conceitos como "composição", "estrutura", "microestruturas", etc, são comuns ás várias artes. Acontece que no caso em apreço era fácil detetar o embuste, porque era demasiado evidente e cristalino. Mas não será aqui e agora (a reflexão sobre o "mundo da arte" contemporânea, ou alegadamente contemporânea). Voltando ao assunto a tratar, foi-nos imposta a banalidade e a falta de criatividade liminares, que de resto vão de acordo com uma certa arrogância saloia de alguns jovens responsáveis da GNRation, onde o "concerto" decorreu. Mas o saloísmo e a arrogância parola não será unicamente característica deles, neste lugar.
pela singularidade com que aborda o tema da sua instalação.
O resto vai do interessante ao estupidamente banal, passando pelo curioso, como o trabalho de Yufan Lu]. Depois há a agenda paralela de jantares e festas, onde as conversas vão do idiota ao pretencioso, normalmente num inglês "manhoso" ou num português "tinhoso"...
Quando decorria um desses jantares privados, seguidos de festa aparentemente aberta, dado ser num bar aberto ao público, acontecia um dos eventos mais relevantes na cidade: um concerto da Orquestra Barroca da Casa da Música, na Sé de Braga, com entrada gratuíta, com um interessantíssimo e bastante inusual repertório, e com oferta de um programa (designa-se programa nos concertos e folha de sala no cinema e nas artes performativas contemporâneas. No ballet e no teatro designa-se também "programa") explicativo das obras bem elaborado. Mas os e as organizadoras, e por arrasto as e os artistas, dos encontros da imagem, estavam na comezaina e "focad@s" na festa que se seguia...
Quanto ás imagens propriamente ditas... É fixe para a cidade manter estes eventos, sempre cria a ilusão de grande dinâmica criativa... Mas sem clubes de fotografia com qualidade e condições, isto não passa de um modo de se (a)juntarem uns artistas emergentes, com umas festas à mistura, uns honorários ganhos por meia dúzia, mas, sem qualquer consequência para o surgimento e desenvolvimento artístico dos futuros "emergentes". Mais vale a autarquia investir num clube de fotografia com instalações e formador@s que criem gerações de "emergentes" com alguma continuidade e consistência, do que andar a desperdiçar dinheiro com encontros de impacto limitado, que mais parecem servir para o sustento de um punhado de organizadores, mais umas quantas festas e jantares, do que para promoverem um debate aberto, inteligente e crítico, sobre o papel da imagem, das suas técnicas, da relação com as outras técnicas, enfim, algo que não sejam umas exposições para os pategos verem, todas elas com o seu interesse virtual, evidentemente [na medida em que a imagem, por menos criativa que seja, é passível de se construir em auto discurso explicativo e crítico que, muito frequentemente, assume mais relevo que a obra em si, e - isto é relevante - sem o qual muitas obras não passariam o patamar da mediocridade. No entanto devo ressalvar que vi uma série de fotomontagens interessante (Thomas Zika); uma série de fotografias muitíssimo interessante, que nos remetem para os pintores pré-rafaelitas ingleses (Tania & Lazlo) e outra série bastante interessante ("There is Gaz Under the Tundra"); o trabalho de vídeo da Rebekka, da Suíça, não cheguei a ver porque estranhamente o tinham desligado; como instalação fotográfica a minha escolha vai para "Woman Go No'Gree", de Glória Oyarzabal (imagens de dois detalhes da instalação),
pela singularidade com que aborda o tema da sua instalação.
O resto vai do interessante ao estupidamente banal, passando pelo curioso, como o trabalho de Yufan Lu]. Depois há a agenda paralela de jantares e festas, onde as conversas vão do idiota ao pretencioso, normalmente num inglês "manhoso" ou num português "tinhoso"...
Quando decorria um desses jantares privados, seguidos de festa aparentemente aberta, dado ser num bar aberto ao público, acontecia um dos eventos mais relevantes na cidade: um concerto da Orquestra Barroca da Casa da Música, na Sé de Braga, com entrada gratuíta, com um interessantíssimo e bastante inusual repertório, e com oferta de um programa (designa-se programa nos concertos e folha de sala no cinema e nas artes performativas contemporâneas. No ballet e no teatro designa-se também "programa") explicativo das obras bem elaborado. Mas os e as organizadoras, e por arrasto as e os artistas, dos encontros da imagem, estavam na comezaina e "focad@s" na festa que se seguia...



