BlackRock

Desde 2011, a BlackRock aumentou os seus gastos anuais com lobby na UE de 150 mil para 1,5 milhões de euros. O êxito das suas campanhas de lobby enche uma longa lista. 

Apesar de ser a maior gestora de activos do nosso tempo, a BlackRock conseguiu evitar ser considerada uma “instituição financeira sistemicamente importante” pelo Conselho de Estabilidade Financeira, fugindo assim às regulamentações aplicadas aos gigantes que podem ser “demasiado grandes para falir”.
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Segundo uma fonte do Parlamento Europeu, “por vezes a BlackRock organiza, através dos seus lobbyistas, os chamados 'dias de informação' apenas para assistentes dos deputados, para lhes explicar como funciona um produto ou como o potencial dos fundos passivos pode ser usado para aumentar crescimento económico”. "É claro que esses jovens assistentes aconselharão os seus membros a votarem de uma certa maneira”, nota a mesma fonte.
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Nos seus quadros a empresa tem também alguns antigos responsáveis políticos europeus. O ex-ministro britânico das Finanças George Osborne é talvez o mais emblemático. Na Alemanha, Friedrich Merz, que chefia o conselho de supervisão da BlackRock desde Março de 2016, é um ex-líder parlamentar da CDU, partido da chanceler Angela Merkel. Jean François Cirelli, presidente da filial francesa da empresa, foi conselheiro do presidente Jacques Chirac, trabalhou com o ex-primeiro-ministro Jean Pierre Raffarin, e agora foi nomeado pelo actual presidente Emanuel Macron para a comissão que estuda a reforma do Estado francês. Um ponto importante na sua agenda: a alteração ao sistema de pensões de reforma.
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Ao mesmo tempo, na Grécia, a BlackRock também foi contratada para avaliar todos os 18 bancos gregos e fornecer recomendações para a sua liquidação ou fusão. Em 2013, o banco central grego concedeu a auditoria dos quatro grandes bancos recém-criados à BlackRock Solutions e, em 2015, voltou a contratar a mesma empresa para definir a estratégia para resolver o problema dos NPL, acrónimo para nonperforming loan, ou seja, crédito mal parado. Paschalis Bouchoris, que liderava o fundo estatal responsável pelas privatizações, foi nomeado chefe da subsidiária grega da BlackRock. O facto de um grupo que detinha a melhor informação privilegiada poder jogar em todos os tabuleiros não foi visto como um problema pelos ministros das finanças do Eurogrupo, nem pelo BCE em Frankfurt.

Pelo contrário: os bancos centrais da França, Espanha e Holanda também contrataram a BlackRock para examinar os bancos. No entanto, os custos e condições dos contratos com os consultores controversos são geralmente secretos. É “informação confidencial das autoridades de supervisão financeira”, explicou ao Investigate Europe um porta-voz do banco central holandês.
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Em 2016, a BlackRock foi novamente contratada pelo BCE para ajudar o banco nos seus testes de stress a 29 bancos da zona euro – o teste envolveu os bancos sob supervisão da Autoridade Bancária Europeia, num total de 53 bancos.

Estes testes de stress revelam informações confidenciais sobre os bancos, como quais os empréstimos que provavelmente não serão pagos, mas o BCE garante que há uma separação estrita entre os investidores da BlackRock, que possui acções em todos os principais bancos europeus, e o braço de consultoria. “A confidencialidade da informação é garantida pelos termos do contrato”, garante ao Investigate Europe um porta-voz do BCE.
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“Eu não acredito em biombos chineses. Quando se torna relevante para a empresa, isso não existe. Ouvi pessoas que trabalham nos bancos que garantem que esse conceito definitivamente não funciona. Assim que uma informação é valiosa, ela será usada ou – do ponto de vista legal – também será abusada”, clarifica Hans-Peter Burghoff, professor de Economia Bancária e Serviços Financeiros na Universidade Hohenheim, Alemanha.
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Com cada novo cliente, a BlackRock recebe ainda mais informações e fornece ao grupo uma riqueza gigantesca de dados sobre o que está a acontecer nos mercados financeiros. Mais de 20 biliões de dólares de activos já são geridos por este sistema em todo o mundo, e esse valor cresce mais de 10% a cada ano. “A BlackRock terá em breve o monopólio do mercado financeiro”, prevê um banqueiro de Bruxelas.
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Há uma história reveladora do risco, que está relacionada com a forma como são geridas as pensões. Em 2010, a BlackRock criou um rombo de 500 milhões de dólares no Sistema de Previdência e Aposentadoria da Califórnia (CALPERS) com um mau negócio imobiliário em Manhattan. Este é o mesmo fundo que paga a pensão de reforma da mãe de Larry Fink.

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