Da radical inutilidade dos cursos de "estudos artísticos". Nomeadamente.

Aprender um pouco disto e outro daquilo, faz-se em cursos livres, não em estudos superiores universitários. Mas, quando ao aprender superficial se junta o liminar desinteresse pelas atividades em que @s estudantes dos "cursos artísticos" serão alegadamente "especialistas", só se pode falar em charlatanice por conta do erário público, que é quem paga tudo isto.

Quando é apresentada uma versão, para percussões, da Sagração da Primavera, de Stravinsky, no Teatro Académico Gil Vivente, em Coimbra, versão interpretada pelos professores e alun@s (deveriam haver mais mulheres entre os intérpretes, mulheres que internacionalmente estão a dar cartas também nas percussões) da Academia Metropolitana de Lisboa, com entradas gratuitas, e temos a casa quase vazia, numa cidade universitária, em que existe o tal curso de "estudos artísticos", oportunidade que @s alun@s desse curso perderam para ouvirem, ao vivo, sem gastarem um cêntimo, "a Sagração" numa curiosa e interessante transcrição para percussões, só isso dá-nos um pequeno "flash" do que realmente são estes alegados cursos de "estudos artísticos". Neste caso particular, há que assinalar o facto do diretor do Teatro Gil Vicente ser um dos responsáveis máximos pelo referido curso de "estudos artísticos" da Universidade de Coimbra, sendo simultaneamente o diretor do programa de doutoramento nos ditos cujos, responsável este que não soube divulgar o evento entre docentes e discentes, numa época em que tudo é transmitido pelas designadas "redes sociais", assim como pela "intranet" das cadeiras e dos cursos, sendo as/os alun@s e docentes informad@s em "tempo real", pois até nas aulas estão "conetad@s", pelo menos @s primeir@s...


Valha-nos que em Vila Real e Viseu, que não têm cursos de "estudos artísticos" (mas terão outras inutilidades...), @s artistas, dirigid@s pelo ex-primeiro trombone da Orquestra Metropolitana de Lisboa, Carlos Reinaldo Guerreiro (num concerto que contou com uma interessante introdução pelo físico teórico Carlos Fiolhais), tiveram as salas cheias de um público entusiasta, que ocorreu para ouvir "a Sagração", numa transcrição para orquestra de percussões de Miguel Sobral Curado, público esse que os compensou (em avanço) da frustração da sala quase vazia com que se iriam deparar na "cidade universitária por excelência"... Por isso (e por muito mais que não vale a pena trazer aqui "à baila"), no que diz respeito a Coimbra, ficamos conversados. 


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