A oitava de Bruckner


Sobre a obra e o compositor recomendo vivamente a leitura da folha de sala, ou "o programa", como normalmente se designa no meio musical. Quanto à interpretação, fiquei surpreendido com a "pulsação" rápida que John Störgårds adotou no Scherzo, longe do "pace" contemplativo de um Celibidache, mas estamos em mundos e épocas diferentes. O contraste com o Adagio foi algo de "eficaz" e, diria mesmo, impressionante. O problema foi que nem todos os naipes conseguiram manter a pulsação adotada pelo chefe de orquestra. A solidez das trompas e das tubas wagnerianas foi notável, assim como a tuba.  De uma forma geral a orquestra esteve bem.

Bruckner andou uma vida inteira de músico (foi organista e isso é mais que evidente na sua orquestração) e compositor para escrever três sinfonias absolutamente geniais, as três últimas, sendo que a nona ficou incompleta e há quem diga, não sei porquê, que foi melhor assim (parece que a "lógica" é do tipo imbecil, que conclui que se dois andamentos duram uma hora, "imaginem lá se ele tivesse completado os quatro!"). A oitava é a mais "monumental": é grandiosa e "espetacular". Há que dizer claramente, Bruckner, pelo menos nas suas três últimas sinfonias, "constituiu-se" um marco incontornável da História. John Storgårds, que também é violinista com carreira mundial, estudou com o mestre de todos os maestros escandinavos: Jorma Juhani Panula. Eu assisti à integral das sinfonias de Sibelius dirigidas por Panula e tal foi seguramente um "marco" no meu percurso como ouvinte. Muitos anos mais tarde, assisti à mesma integral, por outro discípulo de Panula, Pekka Salonen, o  que foi também relevante na minha "carreira" de ouvinte. Storgårds, que faz parte dessa "linhagem" fabulosa, conseguiu da orquestra muito mais que eu, pessoalmente, esperaria, sem desconsideração daquelas e daqueles muy excelentes artistas. Não vou dizer que foi uma das melhores interpretações desta sinfonia que ouvi em concerto, porque as outras duas vezes que ouvi esta sinfonia "ao vivo", foi, há muitos muitos anos, com Celibidache à frente da orquestra de Munique e, em 2007, com Boulez à frente da Wiener Philharmoniker...

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