Os portugueses são peritos na especulação, o que é uma faceta do seu chico-espertismo

Os portugueses, que gostam tanto de se auto-proclamarem europeus, esquecem que um pilar da cultura europeia foi e é o direito à habitação, muito, mesmo muito antes disso ter sido consagrado na constituição portuguesa. Assim, na Alemanha, as casas vazias pagam impostos progressivos até atingirem níveis incomportáveis para os proprietários. Em Portugal, como é costumeiro, só aquilo que interessa ao chico-espertismo generalizado é que se aplica. Agora, os patos bravos proprietários de hosteis e do "alojamento local", substituíram-se aos antigos empreiteiros. Estes patos bravos, que falam inglês fluentemente pois o Estado possibilitou-lhes estudos superiores (em áreas que evidentemente não exercem) são os responsáveis do aberrante e insustentável fosso entre os preços da habitação e o salário mínimo nacional, que milhões de portugueses ganham. Estes patos bravos são obviamente os grandes adeptos do "liberalismo", mas o atual governo é o responsável pela ausência de leis e aplicação das mesmas, que só não existem porque o governo continua sem querer atuar (basta olhar-se para Lisboa, o paradigma da cidade terceiro-mundista, inacessível aos nacionais e fabulosa para os turistas, onde o PS governa desde há décadas, estando o Porto a ficar exatamente o mesmo inferno para os nacionais e o mesmo paraíso para os proprietários de hostais e "alojamento local", que muitas vezes coincidirão e que também alugam quartos aos estudantes Erasmus, frequentemente por preços indênticos ao salário mínimo nacional, passando comprovativos que não são faturas que implicam o pagamento de impostos mas simples declarações de recebimento para eles entregarem nos respetivos países). Os patos bravos novos ricos, proprietários nomeadamente de hosteis, onde uma cama em um "beliche", numa camarata, pode custar o mesmo que um quarto custava numa residencial, provocando um efeito de encarecimento em cadeia, pagam de impostos o que lhes apetece pagar (os turistas não pedem faturas "verdadeiras"), já que os hosteis (que espertamente se conseguiram encaixar na categoria de "alojamento local", ou, creio, podem optar por essa categoria) pagarão verdadeiras ridicularias em relação ao lucro que conseguem, podendo, por exemplo, declarar que numa camarata de 20 dormem em média duas pessoas e, provavelmente, estando enquadrados na categoria de "alojamento local" nem necessitarão de declarar o que quer que seja, limitando-se a pagar um pequeno imposto fixo, apesar de terem dezenas de beliches normalmente cheios, numa situação de promiscuidade que pode colocar até problemas de saúde pública. O lugar é uma pura república das bananas, deslumbrado com o turismo, que dá elevado lucro a atividades sem qualquer valor tecnológico acrescentado: o turismo é a "indústria" típica dos países de terceiro-mundo, países que (também) se caracterizam por desprezarem o bem estar dos seus nacionais. Chegou-se ao ponto a que se chegou por culpa exclusiva de quem não legisla nem fiscaliza, pois sabe-se bem que os chicos-espertos são "ratos". Assim, foi, imagine-se, o "liberal" FMI quem veio alertar para a aberração que está a acontecer em Portugal, FMI que evidentemente nem sequer se deu ao trabalho de relacionar os preços praticados no aluguer da habitação com a realidade dos salários no lugar, para fazer sobressair o verdadeiro crime social imanente a esta situação, limitando-se a comparar a subida do preço das casas no lugar chamado Portugal com a média da UE, inquietado com a possibilidade de uma nova "bolha"... Só medidas radicais podem pôr um termo a isto.

"Alojamento local duplica em apenas dois anos" ( o Destak 2.3.2018)

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