Crônica de recentes agressões à Amazônia e a seus povos

Como não sou capaz de memorializar e escrever o silêncio com versos perturbadores como os de Pádua Fernandes, deixo algumas frases à guisa de testemunho. Está em curso um processo metódico, paulatino, diário de agressão e rapinha contra a Amazônia e os seus povos, e assombra-me o silêncio com que ele é recebido. Uma breve conversa com indígenas, ribeirinhos, lavradores, ambientalistas, antropólogos ou jornalistas radicados ou especializados na Amazônia é suficiente para dar indícios do nível de revolta e da sensação de impotência que vai se disseminando. Os insultos se sucedem com velocidade superior à capacidade de qualquer um contabilizá-los, mas o Sul Maravilha—com honrosas exceções, como o indispensável Leonardo Sakamoto—se cala ou racionaliza o saqueio com argumentos chantagistas. Quando formos derrotados definitivamente, o dia 09 de novembro de 2011 ficará como um dos marcos da hecatombe. Executivo, Legislativo e Judiciário deram ontem sua contribuição ao “desenvolvimento”, essa palavrinha que, assim como na ditadura, é hoje usada pelos governos para que o povo acredite no que eles querem, como bem observou Eliane Blum, outra indispensável. As agressões de ontem são parte de um contexto que vale a pena ser recordado. 05 de setembro 2015


Filho de Marco Veron, cacique assassinado em 2003 no regresso de uma missão igual, Ládio teve encontros com organizações da sociedade civil e representantes de partidos políticos para esclarecer o drama dos guaranis kaiowás e de outras etnias, das mais de 300 que tem o Brasil, empurrados, perseguidos e mortos por fazendeiros e cúmplices. Em Algés, na Fábrica de Alternativas, no Porto, com o Partido Pessoas-Animais-Natureza, e em Coimbra, no Centro de Estudos Sociais, contou como os direitos dos guaranis são atropelados e os penosos momentos que a sua luta atravessa num Brasil a braços com um governo pouco sensível às causas dos povos originários, em particular os do Mato Grosso do Sul, um estado pejado de conflitos e vítimas

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