A quinta-mistério do caso Sócrates: já foi de quatro arguidos e não é de ninguém

Na data das primeiras aquisições dos terrenos, em 1995, surgiram como beneficiários da Cosmatic Properties Domingos Duarte Lima e a sua sobrinha Alda Lima de Deus. Em Setembro de 1999, a sociedade passou para as mãos de dois desconhecidos: Tomás Guerra Neta e Rosa Maria de Melo e Freire Silvestre. Em Outubro de 2000 começam as passagens de testemunho mais complexas, com as ações da Cosmatic Properties a passarem para uma outra entidade offshore, identificada como Airlie Holdings Limited, registada no arquipélago de Turks e Caicos. Nesta data o primeiro beneficiário final da Airlie é José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, o primo de Sócrates residente em Angola e recentemente constituído arguido na Operação Marquês.
Na mesma data, a Cosmatic passou uma procuração a favor de Paulo Guilherme, visado no Monte Branco e na investigação ao antigo líder do Montepio Tomás Correia e, simultaneamente, essa procuração dava poderes ao filho e sócio do construtor José Guilherme (que terá dado 14 milhões de prenda a Ricardo Salgado) para alienar a entidade ou os imóveis detidos pela mesma. Porém, chamado a depor no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Paulo Guilherme não reconheceu a procuração.
A história desta passagem de testemunho já está confusa mas não acaba aqui. Em Maio de 2007, José Paulo Pinto de Sousa cede a Airlie a Joaquim Barroca, patrão do grupo Lena e arguido na Operação Marquês, que assim passa a ser dono da Cosmatic e, por sua vez, da Quinta dos Muros Altos.
Joaquim Barroca foi ouvido na qualidade de arguido sobre o assunto mas não convenceu os investigadores. Na sua versão, teria feito a compra através de Carlos Santos Silva, a quem teria pago 1 milhão de euros, podendo vir a acrescer uma futura repartição dos ganhos caso fosse autorizada a construção de casas no terreno – mas nunca foi detectada uma transferência do patrão do grupo Lena para Carlos Santos Silva desse montante[mais aqui]

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