O sucesso de Dias Loureiro

Dias Loureiro poderá sempre dizer que fez tudo de boa-fé, que acreditava na bondade da tecnologia desse viveiro mundial de ciência e inovação que é Porto Rico, que, como o MP aceita, não cometeu ilegalidade alguma. Mas, foi imprudente, incompetente, opaco, suspeito e arrogante ao decidir avançar com o negócio contra os pareceres técnicos dos especialistas da própria Sociedade Lusa de Negócios ou contra teor de uma auditoria da consultora Arthur Andersen. Se o seu processo por branqueamento de capitais, fraude fiscal e burla foi arquivado por falta de provas, não escapa ao julgamento ético e cívico pela gestão danosa que exerceu no BPN – crime que a lei reserva apenas para empresas públicas e cooperativas. Como se lê no despacho de arquivamento, “não era sequer necessário ter experiência em negócios desta dimensão, o que não era de todo o caso dos vários intervenientes, para ter uma noção muito clara, aquando da celebração dos contratos em causa: o prejuízo era inevitável”.

Lamentavelmente, segundo a revista Sábado, que conta um picaresco episódio de entrega de 1,5 milhões de dólares em notas nas instalações do BPN na presença do ex-ministro Dias Loureiro, nunca poderemos conhecer uma parte substancial do processo, uma vez que 1138 folhas, das 2830 que constituem o mesmo, não podem ser consultadas por decisão do DCIAP, que igualmente proibiu a consulta dos anexos e apensos do processo, numa decisão muito provavelmente ilegal, dada a sua extensão, e que não nos permite, provavelmente, vir a saber coisas tão simples como quanto tempo esteve o processo parado e porquê, ou quais as exactas dificuldades com que se deparou a investigação. Parece-me que seria importante percebermos o que se passou nestes oito anos de investigação.

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