Cada cavadela, sua minhoca

Mais tarde ou mais cedo, haveria de chegar mais uma fatura para os contribuintes. Quando ainda se fazem contas ao que vão custar os buracos da CGD e do Novo Banco, eis que surge mais um banco na liça, desta vez o Santander Totta, pronto a cobrar milhões por conta dos famigerados swaps assinados pelo conjunto de "boys" do PSD, PS e CDS que costumam alternar na gestão das empresas públicas de transportes. Depois da ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque ter empurrado o problema com a barriga (um pouco a exemplo do que fez com o BES/Novo Banco, com o Banif e com a CGD), com isso aumentando a conta, vem agora Mário Centeno anunciar as "vantagens" do acordo. Que se podem resumir assim: o Estado (os contribuintes) paga 1,7 mil milhões de euros ao Santander e este, por sua vez, soma-lhe 600 mil euros e empresta 2,3 mil milhões ao Estado, por 15 anos e com uma taxa de juro de 1,8%. Diz o ministro das Finanças que, com este acordo, os custos são menores, nomeadamente por via da poupança futura com juros. É uma forma de olhar para o problema, compreensível se tivermos em conta que Centeno, não sendo responsável pelo buraco, teve de encontrar uma forma de o tapar. Outra é perceber que assim se vai delapidando o dinheiro público, agravando o défice, aumentando a dívida, sem que ninguém seja verdadeiramente responsabilizado pelos atos de gestão danosa. Jornal de Notícias, 13 abril 2017, pag 2

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