Sílvio Joaquim Francisco Ferreira Teixeira (19/11/1928 - 26/7/2016)
Foi Sílvio Teixeira quem criou pela primeira vez, em Vila Real, uma indústria com "tecnologia de ponta", a fábrica de lentes oftálmicas, "Polo", que, na época em que Sílvio Teixeira a dirigiu, exportava o grosso da sua produção para a Alemanha, de onde o "sócio capitalista" (que avançou o "capital" e que, por isso, era o proprietário, absoluto e absolutista, da empresa) era originário. Sílvio Teixeira conseguiu, dessa maneira, criar mais de 50 postos de trabalho industriais em Vila Real, numa época em que aquela cidade era basicamente o centro de uma comunidade rural, onde mulas e bois circulavam, nos dias de feira, pelas ruas do centro da cidade. Surpreendentemente, a Assembleia Municipal, no seu voto de pesar, esqueceu a contribuição decisiva de Sílvio Teixeira para o emprego, o bem estar e o desenvolvimento de Vila Real. Definir o maior criador de postos de "trabalho produtivo" e altamente competitivo, de toda a história da cidade, como um "mero" jornalista regional, um "carola", é, no mínimo, bizarro [a universidade cria postos de trabalho mas não indústrias de exportação: a produção vinhateira nem foi criada pela universidade nem esta esteve envolvida no projeto que levou à internacionalização dos vinhos de mesa portugueses (estruturado ao nível financeiro, por mero acaso, por um dos sobrinhos de Sílvio Teixeira), e, se excluirmos a venda de cursos aos brasileiros... que resultou num complexo processo judicial (que se saiba, não há... nenhuma equipe de investigação da UTAD que possa algum dia vir a ser nomeada para um prémio Nobel...), ainda estão para aparecer, em Vila Real, indústrias produtivas e exportadoras, com a relevância internacional que a "fábrica das lentes" teve no tempo em que Sílvio Teixeira esteve à cabeça da mesma]. Se se acrescentar que Sílvio Teixeira abandonou um invejável lugar na administração pública, no Porto (onde teve o privilégio de escutar ao vivo nomes como Artur Rubinstein e David Oistrakh, no tempo em que o Teatro Rivoli constava nas agendas das digressões dos grandes génios da interpretação musical) para voltar à sua terra natal e, nesta, abandonou um lucrativo negócio familiar (os pais de Sílvio Teixeira abriram a primeira ourivesaria da cidade e a sua mãe, já viúva, para atender a necessidades mais fundamentais que a parola "sede do ouro", criou a primeira casa de óptica oftálmica daquela cidade, tendo sido Silvio Teixeira o primeiro técnico oftálmico em Vila Real, que formou toda a geração seguinte) para fundar a "fábrica das lentes", com capital que não era dele [criando postos de trabalho que abriram, ao povo, ignorante e rude, a possibilidade de escolher outra ocupação diferente do trabalho nos campos e na construção (ou na fábrica de tijolos... para a construção...)], fica-se com uma ideia da dimensão da pessoa em causa. Não por acaso, o seu irmão, herói anti-fascista, quando se escapou do hospital-prisão, para onde o seu pai conseguiu que fosse transferido (caso contrário teria morrido no Tarrafal), a primeira pessoa que procurou foi o seu irmão Sílvio. O organizador do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, também esqueceu (ou nunca disso teve conhecimento) o contributo de Sílvio Teixeira para o desenvolvimento tecnológico e produtivo de Vila Real, assim como esqueceu de nele incluir o irmão de Sílvio Teixeira, herói anti-fascista e Comendador da Ordem da Liberdade (com ela agraciado pelo então Presidente da República Jorge Sampaio), mas os critérios dele foram necessariamente diferentes daqueles que têm de ser os de uma Assembleia Municipal, onde tod@s sabiam quem foi o fundador da "fábrica das lentes" e da importância que esta teve para o desenvolvimento da cidade (para além do facto de Sílvio Teixeira ter sido o primeiro técnico oftálmico de Vila Real e a "Óptica Teixeira" ter sido a primeira casa de óptica de Vila Real, tal como a "Ourivesaria Teixeira" foi a primeira ourivesaria daquela cidade).


