Ayotzinapa: o fogo, as cinzas

O relatório oficial sobre a tragédia ocorrida em outubro do ano passado foi reduzido a cinzas. A versão apresentada pelo ex-procurador Jesús Murillo Karam foi devorada pelo fogo das evidências. O relatório do Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI), criado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), demoliu completamente o relato governamental sobre os factos ocorridos. Como logo disse uma das mães das vítimas desaparecidas: “nós sempre soubemos que era mentira”.
Segundo o relatório do GIEI, os ataques aos estudantes rurais, no município de Ayotzinapa, no dia 26 de setembro de 2014, foram realizados para impedir que os três autocarros que os jovens apanharam em Iguala saíssem da cidade – além de castigar os rapazes pela atitude que tiveram.
Portanto, a versão dada por Murillo Karam, de que os estudantes pretendiam sabotar o ato de María de los Ángeles Pineda como presidenta do DIF (Sistema de Desenvolvimento Integral da Família, instituição pública ligada às políticas de assistência social) de Iguala, foi considerada falsa. Quando eles chegaram à cidade, o evento já tinha terminado há mais de uma hora.
O relatório também concluiu que a agressão contra os alunos foi massiva, planeada e indiscriminada. Foi realizada em nove diferentes lugares, e em diferentes momentos (durante três horas), dirigida e coordenada.
Para chegar à magnitude e sofisticação dos ataques, foram necessários níveis complexos de comunicação, infraestrutura e coordenação, que não se pareceriam, segundo o relatório, ao que possui o grupo criminoso Guerreros Unidos, o mais forte da zona. Na história de Iguala, não existe um episódio parecido, de uma operação criminosa ou um assassinato dessa magnitude, tão pouco desaparecimentos ou ocultamento de restos humanos em fossas

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