Universidade(s) do outro mundo

"Estes tuguesinhos" não atingem, reclama o "prof-doutor", doutorado em Bigu... O seu mundo entre o norte de Tugal e Bigu é um mundo amplo... Bués de amplo... Estava irritado porque lhe perguntaram como é que, vindo de "letras", fez um doutoramento em "neuropsicastologia" (uau!). Ele argumenta que primeiro fez um mestrado (o "master" em Espanha não era um mestrado mas sim uma pós-graduação, anyway...) e depois seguiu para doutoramento em Bigu, não especificando se é um doutoramento com diploma assinado pelo rei e pelo ministro ou daqueles assinados pelo reitor... Deduzo que tenha sido suficientemente esperto (já que teve a esperteza de ir à privada fazer a licenciatura e seguir logo para Bigu...) para fazer um doutoramento com validade legal.

Antes de Bolota a generalidade dos doutoramentos feitos pelos tugueses em Hispanya não tinham validade (lá), logo, muito logicamente, como não são reconhecidos no país que os "produziu" não têm qualquer valor. Em Hispanya são uma mera pós-graduação sem grau académico. No fundo tratava-se de um estratagema das universidades hispanyolas para ganharem dinheiro com os tugueses e "latino-americanos", sem que estes pudessem competir no "mercado" hispanyol. Alguns reitores das universidades de "província" tuguesas fizeram o "jeitinho" de reconhecerem estes diplomas, com efeito única e exclusivamente na própria universidade. É a tal alta, altíssima, autonomia das universidades tuguesas... O problema é que estes "doutoramentos" eram feitos literalmente ás "três pancadas" (existiam até "modelos" preparados para os tugueses e "latino-americanos", onde era só alterar os dados de acordo com as especificidades da tese de cada um... impressionante...) e nem sequer tinham no júri da defesa da tese um arguente exterior ás instituições (para quê mandar vir alguém exterior à instituição se aquilo não tinha qualquer valor?). O diploma era assinado pelo reitor, quando os diplomas dos doutoramentos válidos eram assinados pelo rei e pelo ministro. 

Mas há casos muito mais escandalosos, pelo menos um, na mesma universidade onde aquele "prof-doutor" exerce e só num lugar da treta o sujeito continuaria a exercer funções numa instituição do Estado (ou outra, já que as instituições de ensino estão ao abrigo do estatuto de "utilidade pública"), onde é responsável por cursos vários (um tipo que nem como aluno de licenciatura seria admitido numa universidade minimamente exigente!). Trata-se de (mais) um "prof-doutor" (doutoramento conseguido na universidade de Salamandra) e pelo menos um pós-doutoramento numa universidade tuguesa (depois de conseguir o grau de doutor é só inscrever-se nos pós-doutoramentos que desejar, que na prática são pós-graduações para doutorados). "Só" que na passagem de "cacharel" para "licenciado" deu um "salto impossível" (via um instituto privado, claro, que tornou o impossível possível...), situação que num país minimamente decente conduziria à nulidade do grau académico atingido de forma ilegal, assim como de todos os graus académicos conseguidos posteriormente, já que foram conseguidos com base num grau académico ilegítimo.

Aqui estão dois exemplos da autonomia de algumas universidades tuguesas. Algumas? Bem... Desta(s) maneira(s) gostaria de acreditar que só na universidade em questão: não quero conceber que se passou o mesmo em todas as universidades de "província"... Se isto foi generalizado o melhor é fechar essas universidades, poupar o dinheiro dos contribuintes e não permitir que se enganem os estudantes e respetivas famílias.

No caso do início trata-se de alguém que "adquiriu" a sua licenciatura numa universidade privada, numa área das "letras" onde, evidentemente, são, sempre foram, as universidades públicas quem "dão cartas". É verdade que o sujeitito, agora um "prof. doutor", aparentemente conseguiu a sua licenciatura de forma legítima, mas para a obter pagou "montes de massa" a uma universidade privada, quando são as universidades públicas quem são reconhecidas, de muito longe, nessa área (e, regra geral, em praticamente todas as áreas, tanto de "letras" como de "ciências", como é bem conhecido). No segundo caso estamos no domínio da pura trafulhice, que foi amparada por quem o convidou para assistente (a promiscuidade dos "assistentes convidados"...) e pela instituição privada que lhe deu o diploma de licenciado (que posteriormente foi fechada).

Um remédio possível, seria, por norma, não se aceitar que diplomados por instituições privadas possam lecionar nas universidades públicas (exeção para quem tem trabalho académico publicado em publicações credíveis, simultaneamente considerado relevante pelos especialistas da área), constituindo-se uma comissão nacional, independente (composta por doutorad@s por universidades cujos departamentos aparecem nos "rankings" internacionais relevantes, não tendo necessariamente de estarem ligad@s ao ensino), que organizasse concursos públicos para suprir as necessidades de docentes no ensino superior. Para além de se garantir a qualidade dos docentes do ensino superior, quebrava-se a perpetuação de "linhagens" de amigos e "alu@s favorit@s", que são mantidas através da figura d@s "assistentes convidad@s", num ciclo de corrupção e asquerosa mediocridade, alvitantemente paga pelos contribuintes, já que se tratam de instituições públicas. 

De resto, os professores universitários deveriam ser submetidos a "demonstrações" (provas públicas) regulares, com júris constituídos por especialistas reconhecidos nas áreas em que os "demonstrantes" são tidos por "especialistas", onde estes provariam a solidez e consistência dos seus conhecimentos, provariam que se encontram atualizad@s e que conhecem, aprofundada, crítica e consistentemente, as últimas investigações internacionais na sua área, assim como nas áreas relevantes para a mesma. Isto acontece em alguns países e é uma forma de se impedir que @s "chic@s-espertos" que conseguiram um diploma de doutor@s avancem no meio académico e pervertam totalmente os objetivos da academia e do ensino universitário, com consequências altamente nefastas para o país.

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