Por um governo "melhor preparado"

No dia em que se ficou a saber que mais de 60% dos candidatos a dar aulas que realizaram a prova específica de Português chumbaram, o comunicado do próprio Ministério da Educação sobre o tema incorre num erro gramatical. É uma falha frequente, mas tem a sua ironia. 

"O Ministério da Educação e Ciência tomou uma série de medidas no sentido de garantir que sejam os candidatos melhor preparados a ensinar os nossos alunos"


Quando existem cursos de formação de professores para o ensino básico, em universidades públicas(!!!), ministrados, nomeadamente, por educadores de infância que adquiriram um "complemento" para serem licenciados no instituto Iaget da Macumba dos Cavaleiros (que foi encerrado compulsivamente), "complemento" esse adquirido de maneira ilegítima (a passagem do 3º ano do curso de educadores de infância para o 4º ano de um curso de formação de professores especializados para uma das áreas do segundo ciclo foi um salto ilegal: é como se tivessem saltado do 3º ano de enfermagem para o quarto ano de medicina, que é um "salto" impensável), permitindo-lhes seguirem, com base nesse grau de licenciados, para um doutoramento, rápido e fácil em Espanha; como é possível que os alunos de departamentos dirigidos por sujeitos destes, que agora são "profs doutores" (alguns com pós-doutoramentos nisto e naquilo), saiam minimamente preparados, se os seus professores ("profs-doutores"...) não estão minimamente preparados?

[estes casos demonstram para o que serve a tão propalada "autonomia" num país corrupto como Portugal, pois só foram possíveis devido à elevada autonomia das universidades]

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