O futuro do 25 de Abril *

Metade da população portuguesa de hoje não viveu ou não tem memória directa dos acontecimentos de 1974 — e menos ainda do Estado Novo. O desafio que se coloca ao 25 de Abril não é tanto comemorar uma efeméride, mas afirmar uma ideia de futuro para o país. Uma alínea do Art.º 9 da Constituição sintetiza esse programa: “Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses”. Só que este não é um desafio que estejamos a ganhar. Portugal não é para todos. Não o era antes de 1974 e continuou a não o ser depois. E não o é de muitas maneiras.

A desigualdade de rendimentos é das mais graves na UE e na OCDE. A persistente desigualdade nas qualificações bloqueia a mobilidade social intergeracional e a capacidade de participação de todos na vida pública. Um país de excluídos sociais e políticos é um país que, antes de mais, se exclui a si mesmo e se menoriza. A mensagem do 25 de Abril é esta: um país só tem capacidades se conferir capacidades aos seus cidadãos. Capacidades sociais, económicas e, ainda antes destas, políticas. As decisões tomadas por muitos são sempre mais poderosas do que as decisões tomadas por uns poucos, poderosos. Hoje, o 25 de Abril significa que, se queremos devolver Portugal aos portugueses, o primeiro passo é devolver os portugueses a Portugal. André Barata no Diário Economico (24.04)

* e do lugar, acrescentaria eu...

Comentários

Mensagens populares