Isto não é um país, é um velório!

Mais de um milhão de portugueses aptos a trabalhar continuam sem emprego, logo sem salário. É um em cada cinco e, pior ainda, um em cada três entre os mais novos

Nota: o velório reveste aspetos tanto ou mais inquietadores que os números do desemprego, dado que revelam uma estruturação mental que perdurará, mesmo que o desemprego seja drasticamente reduzido. Um trabalho recente revela que as conceções de género entre adolescentes do ensino secundário de Barcelos são idênticas ás de uma cidade do Brasil. Em ambos os lados acham que a mulher é preponderantemente destinada ás tarefas domésticas e os homens à "socialização", achando "natural" que estes mantenham múltiplas relações. Da cidade do Brasil que foi estudada nada sei (mas do Brasil sei que é América do Sul e sei que os números são "assombrosos"). De Barcelos, sei que é em Portugal, na Europa, país beneficiário de biliões de fundos comunitários, desde há 40 anos, destinados à educação e ao desenvolvimento (que depende daquela). Também sei que, se "nesta altura do campeonato" os adolescentes portugueses, ou parte significativa de entre eles, pensa aquilo, o futuro de Portugal não será brilhante (além das estatísticas demonstrarem um aumento substancial da violência nas escolas do ensino obrigatório, o que é absolutamente inquietador num lugar com a violência doméstica que existe em Portugal, para já não falarmos das "tradições" labregas e brutais, as tais "praxes", que acontecem exatamente entre os"cérebros", parte substancial dos quais, no final dos respetivos cursos superiores, emigrarão para lavar pratos)


E entramos na historieta da "fuga de cérebros"... Os "cérebros" jovens que emigraram estão, por uma "esmagadora maioria", a trabalhar na restauração, ou seja, são "cérebros" liminarmente incompreendidos lá fora... o que é de estranhar dado que normalmente imigram para as sociedades "abertas" e "prósperas" do Norte da Europa, ao contrário das sociedades fechadas e desiguais de onde fogem. Ou então serão "cérebros" "menos cérebros" que o tradicional trolha ou canalizador, da "velha guarda", pois estes pelo menos executam um trabalho especializado, constituindo portanto um  sub-género de "emigração qualificada", aproveitada como tal nos países de acolhimento. Aqueles que aparecem nas reportagens dos jornais, para sustentar a teoria da "fuga dos cérebros", o investigador x ou a matemática y (que, de qualquer das maneiras, com ou sem crise, não teriam provavelmente ficado em Portugal), representam exatamente que percentagem da totalidade dos jovens "cérebros" que imigraram recentemente? (não falo d@s enfermeir@s, que normalmente vão exercer na área da sua formação - de resto seria um pouco ridículo qualificá-l@s como "cérebros" - perguntando-me somente porquê formar tant@s enfermeir@s quando o país necessita principalmente de médic@s especialistas com dedicação exclusiva ao Serviço Nacional de Saúde)

[além do acima problematizado, se desejamos ter uma noção aproximada da viabilidade do lugar, há que saber que percentagem dos jovens vão, efetivamente, ser futuros contribuintes. O "politicamente correto" impede estudos por grupos, mas todos sabemos empiricamente que existe pelo menos um grupo, com fortíssima natalidade, que é dos principais benefeciários dos apoios do Estado mas, por "cultura", ou lá o que seja, não é previsível que essa grande natalidade se traduza em futuros cidadãos produtivos e pagantes de impostos. Se isto não deve ser enunciado e analisado não sei de facto o que é que pode ser enunciado e analisado que não fira a "ideologia" do "politicamente correto"]

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