O pântano

De negócios obscuros envolvendo largos milhões é exemplo paradigmático a “compra dos
submarinos” da responsabilidade do então ministro da Defesa Paulo Portas, processo que na
Alemanha levou já a tribunal (e creio que à demissão) de alguns envolvidos, mas que em Portugal
continua a ser “empurrado para canto” como sói dizer-se.

É neste ambiente de pântano que devem ser enquadrados os mais recentes desenvolvimentos
sobre o grupo GPS – empresa que se dedica à proliferação de colégios privados, muitos deles
beneficiando ilegitimamente de apoio do Estado, a pretexto dos “contratos de associação”. Como
não considerar corrupção o facto de um secretário de Estado (do governo de Santana Lopes) e
um diretor regional da Educação terem autorizado, a escassos dias de deixarem os seus cargos
– o governo estava já em “gestão" – a construção de colégios em Caldas da Rainha em terrenos
primeiramente destinados a escolas públicas, colégios aos quais foi de imediato concedido o apoio
de “contrato de associação”? Colégios a que, logo depois, aparecem associados como consultores?

Como não considerar corrupção o facto de a este grupo, com colégios, operando em clara violação
da legislação existente, estarem ligados anteriores diretores regionais de Educação e deputados –
com a triste constatação de alguns deles terem sido eleitos por partidos de esquerda? Como não
considerar corrupção o facto de a alguns destes colégios ser garantido a manutenção do “número
de turmas”, mesmo que elas possam funcionar - até em melhores condições – nas escolas públicas
da zona, a quem tal garantia não é oferecida? A. Avelãs

Nota: "eleitos por partidos de esquerda"? Que se saiba nessa empresa (GPS) os empresários (com o nome de "cooperantes", para disfarçar, já que se trata de uma cooperativa fechada) são do PS e do PSD...

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