Um lugar em desaparecimento

Não é anormal que um país desapareça. Menos ainda se o país (já) tem 10 séculos. Significa isso, simplesmente, que está no fim do seu "percurso existencial". Houveram (ainda) 78.000 nascimentos, em 2013? Qual a percentagem desses "nados vivos" que, no futuro, serão potencialmente cidadãos "produtivos" e contribuintes "líquidos" para o sistema de segurança social (porque esta é uma questão essencial sobre a qual não existe qualquer investigação)? 78.000 nascimentos é pouco para um país de onde saíram 125 mil, provavelmente jovens com formação nas universidades públicas, oferecida quase (ou cada vez menos...) gratuitamente pelo Estado (porque os das universidades privadas, esses ficam no lugar, pois arranjam sempre negociatas com o Estado para gerir, porque têm empresas de familiares no mundo dos empreendimentos estatais, que continuarão até ao ponto em que o declínio da população não justifique mais transferências dos fundos comunitários). Mas, se desses 78.000 nascimentos metade forem potenciais contribuintes e se esses contribuintes potenciais forem os que mais provavelmente abandonarão o país, então estamos conversados. Cada povo constrói a sua própria história e cada povo a conclui da maneira para a qual orientou o seu percurso "histórico-existencial". José Saramago afirmou, pouco antes de morrer, que Portugal se encontrava num processo de decadência irreversível. Cada povo tem os seus arautos. Neste caso, o único prémio Nobel da literatura de um "país de poetas" e da sua longa história de 10 séculos...

Comentários

Mensagens populares