Do "liberalismo" e da democracia

o problema da desigualdade coloca-se muito para além da questão da eliminação da pobreza absoluta – tem que ver com a necessidade de preservação de uma noção comum de cidadania. Se o fosso entre ricos e pobres se acentuar excessivamente as pessoas tenderão a viver vidas cada vez mais separadas, pondo em causa a permanência de um espaço público imprescindível à convivência democrática. Uma sociedade em que os ricos vivam em condomínios fechados, recorrendo a hospitais privados e enviando os seus filhos para escolas elitistas, e onde os pobres recorram à oferta pública nas mais diversas áreas deixa de ser uma sociedade verdadeiramente democrática. O que Michael Sandel diz é algo de uma enorme actualidade: a absoluta mercantilização da vida gera desigualdades relativas que põem em causa o essencial do próprio património democrático liberal do Ocidente.

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