O TEIXEIRINHA

O Teixeirinha - como era carinhosamente tratado pelos camaradas e amigos - faleceu, na madrugada de 2 de Abril, depois de uma longa imobilização. Participou na chamada "revolta da armada" de 8 de Setembro de 1936. Fomos deportados, juntos, para o Tarrafal.

Solidário, de índole fraterna e tolerante, foi um dos melhores seres humanos que tive a sorte de conhecer. Selámos entre nós, ao longo dos anos, uma forte amizade.

O "Teixeirinha" suportou as agruras do Tarrafal com uma enorme dignidade. Estava sempre pronto a ajudar os camaradas. Nunca lhe notei o menor sinal de intolerância. Era afável com todos.

No fim do verão de 1944 foi transferido, sob prisão, gravemente doente, para o Hospital de São José. Foi ali operado a um rim. Esteve internado naquela unidade hospitalar durante dois anos. Ao fim desse tempo decidiu fugir. Joaquim Teixeira fora condenado a dezasseis anos de detenção. Quando se decidiu pela fuga cumprira, ao todo, dez anos. Oito foram passados no Tarrafal.

Depois de escapar do hospital fixou-se em Matosinhos sob o falso nome de Joaquim Aprígio Vilarigues. Foi com esse nome que se empregou na Empresa Fabril do Norte, sedeada na Senhora da Hora.
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Obrigado, querido amigo, pelo exemplo de dignidade da tua vida ímpar.

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