Da "classe média"

É curioso ler-se os jornais económicos onde a "classe média" abrange aqueles com rendimentos de 250 mil euros anuais... Num país onde o salário mínimo é de 485 euros e onde existe uma larga fatia de pensionistas que recebem substancialmente abaixo disto, é preciso grande lata para se escrever sem tremer barbaridades deste género.

Alguém que ganhe 5000 euros mensais ganha mais de 10 vezes mais o salário mínimo nacional e é, para Portugal, uma pessoa que pode ser considerada "rica". Este alguém terá portanto um rendimento anual da ordem dos 70 mil euros (14 meses de salário), ou 65 mil euros (com o corte de um subsídio). Este cálculo básico dá-nos ideia da barbaridade escrita que por aí grassa e que não é inocente porque visa dar a ideia que Portugal não é um país liminarmente terceiro-mundista (com boas e caras auto-estradas mais ou menos vazias) mas, pelo contrário, um país que se pode comparar aos "ricos e avançados", "esquecendo-se" que se "eles" são "ricos e avançados" é porque houve e há substancialmente menos corrupção de Estado, porque toda a "iniciativa privada" que dá lucros absurdos e "pornográficos", em Portugal (e similares), gira à volta de volumosos investimentos públicos. Portugal é sem dúvida o mais "africanista" de toda a OCDE. Aliás só numa UE de palhaços e corruptos, Portugal e similares (Letónias, Hungrias, Bulgárias, Roménias e por aí fora), podem continuar a ser membros de pleno direito.

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