Filho mata o pai para libertar a mãe */**

Homem mata pai para defender mãe de violência doméstica

Hugo matou o pai para acabar com vida de terror

* tudo isto foi escrito quando só conhecia a primeira peça saída no Público. Hoje verifico que estive certo desde o primeiro momento, ainda que alguns se sintam escandalizados com os primeiros títulos que dei ao "post" e que são referidos mais abaixo. Para não ser acusado de escrever e mudar, o que é perfeitamente legítimo num blogue pessoal não profissional, aqui fica o texto que escrevi ontem com alguns "parentises" colocados hoje (17 de Agosto) depois de ler a segunda peça do Público:

Até é possível que este jovem seja um crápula, um puro assassino, como é tratado no Público, mas devido à polémica nos comentários deste "post" deixo o título provocador, ainda que tenha tirado o "bravo" (inicialmente o título era "Uma execução justa", que posteriormente mudei para "Uma execução justa e conveniente" e que depois alterei para o actual - atual se preferirem - seguido de um "bravo", como reacção - reação se preferirem - aos comentários de um leitor. Note-se que os meus dois comentários de hoje foram escritos quando ainda não conhecia a nova peça do Público, ao qual agradeço a nova investigação que conduziu à peça de 16.08.2012 - 17:2,  acima "linkada" e que só hoje, dia 17 deAgosto, li) não o fossem entender como um incentivo à criminalidade... É que neste país das muitas "legalidades" tudo é possível. A única coisa que não é possível é prenderem-se os corruptos que arruinaram o país e arrestar-se-lhes todos os seus bens. Isso não, isso é impossível... Toda a informação que tenho deste caso é unicamente a lida na peça "linkada", logo o título é um título subjectivo e portanto não tem "substancia", mas, fundado na regra geral portuguesa, que é a violência atroz e continuada de certos perversos-psicóticos sobre as suas mulheres e, muito frequentemente (o que é o cúmulo da psicopatia resultante da grande perigosidade paranóica e obsessiva desses sujeitos), ex-mulheres e ex-namoradas! Como entendo (e não estarei seguramente sozinho) que o sistema jurídico e policial português não protege devidamente as mulheres desses perigosos psicopatas, não ficaria surpreendido se neste caso acontecesse exa(c)tamente o que o título refere: "filho que mata o pai para libertar a mãe", o que não significa que neste caso tenha sido esse o caso, passe a redundância. A minha opinião pessoal é que os grandes perversos que agridem sistematicamente as mulheres são, a par dos grandes corruptos que também agem perversamente, o grande cancro deste país. Por isso, se esse jovem libertou a mãe do suplício da violência sistemática e diária, que mata silenciosamente, esse jovem deve ser "louvado" e a sua pena, se condenação houver, muito substancialmente atenuada (pessoalmente acho que se o jovem matou o pai "para acabar com uma vida de terror" deve somente ser repreendido oralmente porque encarcerar este jovem, pondo-o ao lado de todos os criminosos "profissionais", seria um erro grosseiro - aliás, se o jovem agiu em defesa própria, ou em defesa de outros, nem uma repreensão oral merece porque fez o que devia fazer. Mesmo nos países "evoluídos", transparentes e prósperos, quando há defesa própria não há crime).  Nunca nos esqueçamos da jovem que foi 45 vezes queixar-se à polícia e acabou assassinada pelo psicopata do ex-namorado que a perseguia porque não aceitava que já não era o seu namorado! E quantas outras... (tivessem essas jovens sido preparadas pelo Estado para agirem eficazmente em defesa própria, hoje estariam vivas e seriam úteis ao país, e os monstros horrorendos - agora inúteis e a viverem a expensas dos contribuintes, se é que alguma vez foram úteis dado muitos deles terem sido desde sempre uns asquerosos parasitas - que as assassinaram estariam mortos e consequentemente a atmosfera do lugar estaria mais pura e respirável)

** é importante que no contexto do debate não se perca o Norte. Segundo Freud e Lacan a "estrutura psíquica" do perverso deve-se à ausência de "castração" por parte da figura do pai, ou seja, o pai é aquele que "corta" o vínculo com a mãe, é aquele que impôe a "ordem" e que faz perceber que há limites para o "gozo".  Quando não existe a figura do pai, que pode ser a escola, o indivíduo desenvolve-se sem interiorizar que o limite da sua liberdade é a liberdade dos outros, para ficarmos num registo mais "coloquial". O perverso é frequentemente do sexo masculino porque foi apoiado ilimitadamente pela figura da mãe, à qual não se atravessou o "não" significativo (e significante) da figura paterna. São esses os grandes "artistas" da manipulação dos outros, que é a grande especialidade do indivíduo perverso. No caso concreto nada sabemos e tudo o que possa ter sido dito (escrito) é mera especulação. (pela nova peça do Público, já "linkada" acima, percebe-se que este caso não é de todo o do perverso, ultra-protegido pela mãe, que mata o pai para não ter limites aos seu "gozo" e à sua manipulação dos outros)

Vamos agora ao caso Casa Pia. O Carlos Silvino, o "Bibi", se cresceu "naquilo", como parece, cresceu tendo "aquilo" como padrão, como "normalidade". Como pode a "justiça" aplicar-lhe uma pena pesada se o único e exclusivo responsável pelo "monstro" em que ele se tornou é o próprio Estado que administra a justiça? Já em relação aos "figurões" a coisa é diferente. Esses, os "grandes perversos", os grandes criminosos, sabiam perfeitamente o crime e o grau de monstruosidade do crime que estavam a praticar. Imagino que o "Bibi" sabia que aquilo era "mau" e ilegal, pelo menos já "crescidito", quando percebeu que tinha de manter algum recato em relação ao que se passava na instituição. Como pode um sujeito que nasceu e cresceu "naquilo" ter consciência plena da monstruosidade "daquilo", se não existiu a figura paterna a impôr um "não" definitivo e, antes pelo contrário, a figura paterna - o Estado e seus representantes - eram eles próprios uns monstros? Já os "figurões" tinham consciência plena do que estavam a fazer e do dano profundo e permanente que estavam a causar às crianças, não só porque um dos figurões era um médico mas porque todos eles tinham elevado nível cultural, formação superior e grande informação.

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