Equador versus Assange versus "suecas" (*)

O Presidente do Equador é um dos novos líderes populistas de esquerda da América Latina, um economista com formação nos EUA e na Bélgica que pôs em prática uma "Revolução Cidadã", imbuída de princípios tradicionais das populações indígenas, como o "viver bem". Dos princípios à prática, no entanto, há sempre toda a distância de que se faz a realidade.Correa tem feito uma campanha contra os seus críticos nos media, obrigando rádios a fechar e perseguindo jornais e jornalistas. O caso de quatro editores do jornal El Universal, processados em 40 milhões de dólares e condenados a três anos de prisão, por difamação do Presidente - até serem finalmente perdoados por Correa - é o mais conhecido.

Mas a nova lei dos media, em antecipação das eleições presidenciais do ano que vem, proíbe os media de "promover directa ou indirectamente qualquer candidato, proposta, opções, preferências eleitorais ou "teses" políticas, através de artigos, dossiers especiais ou outras formas de mensagens". É quase uma lei da rolha.

Por isso, a célebre blogger cubana Yoani Sánchez, crítica do regime de Havana, considerou "paradoxal" que Julian Assange tenha pedido asilo ao Equador, relata a agência Efe. "Um homem que se tornou uma espécie de Robin Hood da informação acabou abrigado no castelo feudal de um Governo que tem uma política rígida, agressiva para os meios de comunicação e a liberdade de informação."

Nota: o que está em causa no caso Assange é o Reino Unido que um dia impediu o julgamento do criminoso Pinochet ao recusar a sua extradição para Espanha e que agora se mostra muito exímio em cumprir o pedido de extradição da Suécia por alegados crimes sexuais que em muitos países europeus seriam (eventualmente...) considerados sexo consentido, dado que Assange dormiu com as duas mulheres que agora o acusam com o consentimento delas, e é (ou talvez não) unicamente a palavra delas contra a dele quando posteriormente foram à polícia dizer que ele as "violou" enquanto se encontravam a dormir (a dormir juntos, pois concordaram em ter sexo com Assange e concretizaram-o voluntariamente ainda que tal não invalide o crime de que o acusam *). 

* parece que o problema, ou um dos problemas, foi que Assange, quando as "violou", não utilizou preservativo e, se isso foi de facto provado, Assange violou as leis da Suécia e os direitos elementares de preservação da saúde daquelas duas mulheres. Depois há o profundo desprezo que Assange revelou em relação à cultura sueca onde o facto de ter havido sexo não significa que este esteja garantido e consentido "ad aeternum". Na Suécia e nos países avançados e prósperos do Norte da Europa, o facto da mulher, casada ou não porque isso é liminarmente indiferente, ser obrigada a ter sexo com o "companheiro" sem o desejar é, muito justamente, crime de violação. Por isso se é verdade que Assange levou aquelas duas mulheres a terem sexo sem o seu conhecimento por se encontrarem a dormir e, como agravante, não usou preservativo, Assange cometeu de facto dois crimes ao quadrado... só espero que não apareça um Teloborian a "provar" que Assange é um perigoso violador que deve ser expatriado para os USA onde saberão melhor o que fazer com ele... Mas o caso em si "cheira mal". Quem é que nos garante que a acusação não é simplesmente uma acusação executada por duas "ressabiadas", que ao descobrirem-se uma à outra resolveram vingar-se do "traidor"? Claro, ninguém, como ninguém pode provar que elas foram de facto "violadas", porque a única coisa que se sabe é que o "violador" estava na mesma cama que elas por livre vontade delas e que já as tinha "penetrado", supostamente usando um persercativo, por livre consentimento delas. E dá vontade de perguntar se elas lhe fizeram "blowjob" e se fizeram, se usaram... preservativo... (*)

O problema neste caso é só e somente a posição do Reino Unido, tendo em conta o caso do assassino que foi escandalosamente protegido pelos britânicos ao recusarem a sua extradição para Espanha onde iria ser julgado pelo assassinato de espanhóis no tempo da ditadura "pinocheteana", no Chile.

Já se o Reino Unido não expatriou Pinochet para Espanha por não confiar no sistema de justiça espanhol, como também não confia no sistema de justiça português, então isso deveria ter sido dito claramente e até poderia ter sido usado como justificação. Seria uma justificação ridícula tratando-se de um assassino, já que em Espanha nem há pena de morte nem prisão perpétua... Mas não, o problema não teve a ver com a falta de confiança no sistema de justiça espanhol mas na pura protecção de Pinochet que era amigo de Thatcher e visitante assíduo do Reino Unido (Pinochet chegou ao ponto de dizer que a Inglaterra era o país mais civilizado do mundo... claro... como os ingleses sempre protegeram a sua ditadura fascista e o carniceiro que a protagonizou, que na época era um dos cães de guarda dos EUA contra os comunistas...).

Depois há outro aspecto que não pode ser esquecido: graças a Assange sabemos de forma mais alicerçada que os negócios de equipamento para as Forças Armadas portuguesas (falo de Portugal pois os cidadãos de outros países "obscuros" ficaram a saber de outras "negociatas" corruptas que lhes dizem respeito) foram ruinosos para o Estado (português). Só por isso Assange deveria ser "desculpado" pois prestou um serviço de grande interesse público dado que sendo Portugal membro da UE e da "zona euro" trata-se de uma informação relevante para toda a UE, especialmente para os países que têm pago para a UE mais do que o que recebem, como Suécia.

Depois há a questão das Pussy Riot: se os "américas" andam armados em defensores da liberdade a pressionar a Rússia por causa da detenção das Pussy será que por seu lado estarão a preparar um pedido de extradição de Assange a partir da Suécia e, para demonstrarem que são "n" "misericordiosos", em vez de o condenarem à morte condenam-o "só" a prisão perpétua? E que tal falarem de Bradley Manning, que hoje passa o seu 818º dia detido nas prisões "maricanas", sem julgamento, e arrisca uma pena simplesmente brutal? 

(*) o comentário abaixo deixado por um leitor é elucidativo daquilo que realmente acontece neste caso "bizarro". Os mesmos "américas" que apoiaram activamente todas as ditaduras sanguinárias da América do Sul e de todo o mundo, querem mostrar ao mundo que com eles não se brinca e para isso contam com os seus habituais cães fiéis na Europa. E aqui fica a parte hilariante que nos remete para o facto da prostituição ser um crime na Suécia, sendo o cliente o criminoso, supostamente por estar a escravizar a mulher a quem paga para poder satisfazer as suas necessidades sexuais (a sorte  dos potenciais criminosos é bastar-lhes atravessar o "rio" e conduzirem até à Alemanha onde encontram prostíbulos mil...não está aqui em causa a discussão sobre se a prostituição é ou não escravatura das prostitutas mas, na minha opinião, a única figura que devia ser encarcerada por muitos e longos anos é o "chulo", espécie de escroque parasita que é um verme cancerígeno para toda e qualquer sociedade):

"y haber tenido dos encuentros amorosos en una misma semana con cada una de las presuntas víctimas."


Haveria de ter em conta isto: se não haverá extradição para a América seria conveniente defender-se daquilo que o acusam na Suécia. De facto continuar protegido por um regime que não respeita a liberdade de imprensa e que acha normal o "sexo por surpresa" ou seja, que o homem se aproveite da mulher adormecida para fazer sexo sem protecção, não será concerteza um "plus" na imagem de Assange.

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