O que já devia ter sido feito há muito *

O Governo congelou o número de vagas para cursos do Ensino Superior para o próximo ano lectivo, que não vão aumentar em relação a 2011-2012, a menos que as instituições consigam provar a empregabilidade dos cursos.


* porque uma coisa é quando os alunos pagam propinas equivalentes ao custo real, o que só acontece nas universidades privadas que são, com uma única excepção, as de baixa qualidade; outra quando são subsidiados pelos contribuintes, e tal acontece em todas as universidades e institutos públicos. 


Neste momento de crise os cursos sem empregabilidade deviam ser simplesmente fechados, ou funcionarem exclusivamente em regime pós-laboral, para trabalhadores-estudantes que façam descontos e paguem impostos. Os alunos em idade de aprender e sem capacitações para cursos de comprovada empregabilidade deviam ser mandados para a formação profissional que deveria também ser reformulada de acordo com as necessidades efectivas do país.


Deviam também serem criados cursos de formação profissional compulsiva não só para quem recebe o rendimento mínimo (subsídio de inserção) mas também para os adultos que simplesmente vegetam em casa dos pais que chulam (e em alguns casos maltratam), que são um dos cancros da sociedade portuguesa. Uma formação compulsiva bem orientada** pode não somente transformar positivamente a vida destas pessoas, dando-lhes alguma autonomia profissional, ou pelo menos abrindo-lhes essa possibilidade, como pode funcionar como uma terapia que em alguns casos pode ter mais êxito que um tratamento mais "especializado". O Estado tem obrigação de criar alternativas para estas pessoas, até porque são o resultado das políticas educacionais "facilitistas" e profundamente erradas do próprio Estado. Claro que quando temos um sujeito com 40 ou 45 anos que vive com os pais e ao longo de toda a sua vida só trabalhou uns poucos meses, os pais têm evidentemente uma responsabilidade fundamental no estado das coisas. Por isso este deve ser um assunto do Estado, não só devido à gritante incompetência dos pais enquanto educadores, mas também porque o sujeito será um problema para o Estado quando os pais desaparecerem, pois são as famílias pobres e sem educação que normalmente têm este género de problemas.


** séria, eficaz e útil, com saídas profissionais, e não mais um esquema para dar dinheiro às empresas dos boys e girls dos partidos políticos e empregar os amigos como formadores.


«Há cursos em Portugal com 100 por cento de desempregados» - Jornal de Notícias

Mensagens populares