Palavras do velho crápula *

"É muito fácil ao Dr. Mário Soares, com o estatuto que tem, dizer essas coisas. A verdade é que também assinou acordos com o FMI e houve bandeiras negras em Setúbal, houve gente a passar fome, e nessa altura não se demarcou, porque era primeiro-ministro." Helena Roseta (§)


* que entretanto não teve uma palavra de incentivo ao combate à corrupção. É curioso como estes beneficiários últimos do sistema português da corrupção de Estado dizem as maiores barbaridades com cara de sérios. E como quando falam do "povo grego" esquecem, ou tentam fazer esqueçer, que a culpa da situação do "povo grego" é dos "senadores" gregos, dos "Sóares" gregos, e não da Alemanha que se tem fartado de mandar dinheiro para a Grécia sem grandes resultados, dado o estado a que os "Sóares" conduziram o lugar. 


Numa entrevista Roland Berger diz que os gregos estão "loucos": os preços dos alojamentos em hoteis nas ilhas gregas são superiores aos praticados no Japão! Como querem atrair turistas, se até aqueles que podem pagar simplesmente recusam os preços que os gregos lhes querem impôr e vão para outros lugares? (só uns imbecis conseguem fazer que a Grécia, no Mediterrâneo com milhares de ilhas parasidiacas, para além dos monumentos da cultura clássica no Peloponeso, não esteja entre os principais destinos turísticos mundiais) Berger diz outra coisa clara e transparente como a água: "eurobonds" sem união política conduziriam ao crash certo e seguro.


(§) a Helena Roseta esquece-se de um "pormenor": desde o tempo de Soares como 1º ministro passaram-se décadas. Ou seja, Portugal encontra-se na mesma situação que se encontrava décadas atrás, apesar de entretanto ter recebido biliões da CE para se desenvolver!


É evidente que esta situação tem algo a ver com o "bom povo português", com o "rebanho pacífico", que em vez de matar os corruptos dos políticos que o arruinaram mata as mulheres independentes que dizem não aos "talibans" portugueses e matam-se uns aos outros! Mas repare-se que o povo de países com tradições de se matarem os políticos a tiro ou à bomba, como a Espanha e a Itália (Aldo Moro) não conseguiram impedir a corrupção de Estado e a Espanha encontra-se com a "corda ao pescoço" e totalmente descredibilizada, apesar do seu palavreado arrogante e estúpido. É certo que a actividade de grupos terroristas não é uma guerra civil, do "povo" contra os governantes corruptos, mas não serão os governantes corruptos o resultado evidente do "povo" de onde provêm? Poderiam os governantes incompetentes e corruptos subsistirem com um povo diferente?


Eu diria que é a velha divisão de Max Weber: um Norte aberto, avançado e próspero e um Sul fechado, atrasado e pobre. A oposição transparência/opacidade, que tem a ver com a corrupção nos países do Sul, liga-se à primeira oposição. Cabe aos países do Norte, que pagaram e continuam a pagar aos países do Sul, imporem a generalização dos seus padrões de transparência,  já que isso nunca acontecerá naturalmente nos países do Sul. Ou então simplesmente deixarem-os cair, reporem as velhas fronteiras e investirem somente nos "mercados emergentes". Em boa verdade os países do Sul da Europa já consumiram biliões de biliões sem mudarem substancialmente os seus padrões de opacidade e corrupção. Chegou a altura de dar oportunidade a outros. A conversa de se o Sul da Europa cair o Norte também cai, revelar-se-á simplesmente mais uma forma de chantagem dos "espertos" do Sul para manterem o fluxo de dinheiro do Norte, que está visivelmente cansado de desperdiçar tanto dinheiro com hordas de corruptos e incompetentes que apesar dos apoios gigantescos não conseguiram desenvolver as suas sociedades.

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