Com os dias contados

Agora que a Rússia (aproximam-se as eleções onde Putin se vai fazer eleger no sentido de ficar pelo menos mais 12 anos no poder, correspondentes a dois mandatos presidenciais: logo convém tentar conquistar um pouco de credibilidade na cena internacional, ou pelo menos lavar um pouco a imagem da Rússia, não vá ficar associada aos "estados párias"...) decidiu deixar de apoiar o ditador sírio fica claro que a vida daquele vale menos do que um cêntimo.  A comunidade internacional tem simplesmente de destruir o equipamento militar do ditador para tentar minimizar a avassaladora vantagem material deste (que usa equipamentos fornecidos pela mesma "comunidade internacional") e deixar que a justiça aconteça naturalmente.


Quando a barbaridade ultrapassa determinados limites as regras que se aplicam a quem aceita as convenções racionais destinadas a preservar a vida e paz entre os humanos deixam de ter qualquer aplicabilidade. Aliás é bem que assim seja porque não se pode por um lado aplicar a barbárie e quando se percebe a derrota eminente declarar-se que se aceita a racionalidade. Não. Definitivamente isso não pode acontecer e "pedagogicamente" é liminarmente errado que isso aconteça: os responsáveis pela barbárie devem experimentá-la até ao final.


A "comunidade internacional" não pode interferir no destino do carniceiro sírio, dos "seus", e dos que participaram e continuam a participar nas matanças, mas deve eficaz e decididamente proteger os inocentes, nomeadamente a comunidade católica e outras minorias.


Nota 1: é certo que o regime obteve uma importante vitória militar com a retirada do "exército livre" de Homs, onde agora prossegue a "caça", casa-a-casa - a Grande Chacina - dos civis que apoiaram o "exército-livre". Mas agora que perdeu apoio da Rússia, fornecedor das suas eficazes baterias anti-aéreas, nomeadamente, e da China, que agora também reconhece que estão a ser violados direitos humanos básicos na Síria (faz parte da estratégia para tentar melhorar a sua péssima imagem internacional num momento em que as  exportações chinesas estão a sofrer um revés significativo e quiçá definitivo), a vitória do regime sírio será uma vitória de Pirro. 


Nota 2: o presidente sírio é a face do regime dos alouitas mas não significa que detenha efectivamente o poder pois trata-se do caso de uma seita minoritária que domina o Estado, que não quer perder a sua posição dominante e que disso depende a sua sobrevivência física, depois da carnificina que têm vindo a praticar. Só assim se compreende que ao contrário da Líbia não hajam deserções de diplomatas, nomeadamente. São todos membros da mesma seita e todos têm tudo a perder - incluindo, muito justamente, a vida - quando a seita minoritária fôr derrubada do poder.

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