Convém perceberem-se (bem) determinadas coisas

Actualmente sabe-se que a Turquia tem um discurso mas pratica algo diferente do que prega. Supostamente diz apoiar os rebeldes na Síria mas segundo o jornal The Times permite que o material de guerra provindo da China e do Irão, destinado ás forças governamentais sírias, atravesse o seu território, além das empresas turcas que fornecem material e assistência técnica ás forças policiais do regime sírio.


Já que assim é, o "ocidente" deveria interferir no conflito, fornecendo material de guerra e instrução aos rebeldes e fazer unilateralmente o que (unilateralmente) foi feito na Líbia *, com a agravante que na Síria sabe-se que os "chinas" e os russos andam a armar um governo acusado de crimes contra a humanidade.


Em segundo lugar, um país como Portugal que tem andado a vender indústrias estratégicas à China deve lembrar-se que é território da UE e que em caso de conflito - que a todo o momento pode acontecer em qualquer parte do mundo - não haverá lugar para quaisquer veleidades porque Portugal é território absolutamente inalienável da UE e tem de estar - sempre - alinhado com os interesses estratégicos da UE (e ninguém o mandou vender sectores estratégicos aos chineses).


* as coisas são mais complexas porque a Síria possuiu defesas anti-aéreas de fabrico russo que funcionam eficazmente.


Nota 1: na Síria existe uma profunda divisão, como em todo o mundo muçulmano, entre Chiitas e Sunitas. Bashar al-Assad, todo o aparelho de Estado e todos os altos dirigentes militares, fazem parte da seita dos Alouitas, que faz parte do ramo Chiita. Acontece que 74% da população síria é Sunita. Portanto existe um poder Chiita para uma população Sunita. Aqui - no facto dos Alouitas não estarem dispostos a abdicar do poder - reside o cerne do problema sírio, embora todos digam que o que se está a passar nada tem que ver com religiões. Existem também um significativo número de Cristãos que provavelmente se sentem mais protegidos pelo actual regime. Se os Sunitas tomarem o poder os Cristãos serão provavelmente perseguidos e "quiçá" dizimados, se a "comunidade internacional" nada fizer para os proteger efectivamente. Temos portanto um quadro muito complexo que não terá resolução fácil e não haverá decisões fáceis por parte da "comunidade internacional", se algum dia as houver... 


Nota 2: a ONU é decadente e de pouca utilidade já que basta um Estado como a China ou a Rússia (com a diferença que o mafioso e corrupto regime russo continua a ser favorecido pelos próprios russos que parecem apoiar o ex-KGB Putin -> tal como os italianos gostavam e votavam no Berlusco *) para ser bloqueada qualquer acção destinada a parar uma carnificina brutal, que de outra forma já teria sido controlada há muito.


* com a (abissal) diferença que o Berlusco não mandava assassinar quem denunciava as aberrações do sistema e as "cenas" da sua vida pessoal.


Nota 3: não é preciso saber-se ler nas estrelas para se prever que o ditador sírio vai acabar como acabou o ex-"kóronel" da Líbia. Depois da mortandade que causou é justo, diga-se de passagem.

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