Dilma ou a libertação da herança portuguesa
Eu diria que se os ingleses deixaram o cricket aos indianos, os portugueses deixaram a corrupção aos brasileiros. Tal como acontece actualmente em Portugal, a "corrupção de Estado" ("legal" ou não) mina totalmente as bases da democracia e a presidente Dilma percebeu - e bem - que se falhar o combate ao grande cancro herdado dos portugueses o Brasil jamais será aquilo que almeja: um grande e poderoso Estado, respeitado e escutado pela "comunidade internacional". Neste aspecto Dilma faz a diferença essencial com o seu predecessor e "mentor" Lula da Silva. Se Lula teve a escola dos sindicatos e nem sempre compreendeu que o combate contra a corrupção é absolutamente central para um governo que se pretende "moderno" e justo, Dilma teve a escola da luta armada contra a ditadura e sofreu o estigma de ser considerada "terrorista" - quando foi de facto uma heroina exemplar que abandonou a vida da grande burguesia de que faz parte para lutar conta o terrorismo de Estado - não descansará enquanto não transformar o Brasil num Estado mais "limpo" e consequentemente mais justo.
Se Dilma Rousseff mantiver um combate prolongado e implacável contra os grandes corruptos de Estado e obrigar todas as autoridades a encetar um combate consistente contra a pequena e "média" corrupção - incluindo a praticada pelas próprias autoridades - assim como deter - com "mão-de-ferro" porque os agressores de mulheres são uma "seita" especialmente manipuladora, perversa e corrosiva - a violência sobre as mulheres, igualmente herdada dos portugueses, pode ficar na "grande história" como aquela que colocou decidida e definitivamente o Brasil entre os grandes e respeitados do mundo.
Se Dilma Rousseff mantiver um combate prolongado e implacável contra os grandes corruptos de Estado e obrigar todas as autoridades a encetar um combate consistente contra a pequena e "média" corrupção - incluindo a praticada pelas próprias autoridades - assim como deter - com "mão-de-ferro" porque os agressores de mulheres são uma "seita" especialmente manipuladora, perversa e corrosiva - a violência sobre as mulheres, igualmente herdada dos portugueses, pode ficar na "grande história" como aquela que colocou decidida e definitivamente o Brasil entre os grandes e respeitados do mundo.
