O canto do cisne do Euro (da UE e da Europa)

O título do editorial ("comment") do Daily Mail, um jornal declaradamente anti-UE e anti-Euro, de ontem, foi: "somente Merkel pode salvar a eurozona agora". É que o Daily Mail assume que a falência do euro será uma "calamidade" e quando o DM fala em calamidade trata-se evidentemente de uma calamidade também para os ingleses. Portanto o tom do texto do DM é o de convencer Angela Merkel a salvar o euro, por favorzinho, Grécia incluída. Mas... umas páginas antes, o DM queixava-se da Inglaterra ter de entrar com 8 mil milhões para "ajudar" a Espanha, via FMI, ainda que, mais abaixo, apareça, como quem não quer a coisa, que o total da "ajuda" a Espanha rondará os 350 mil milhões! Pagos por quem? Pois! É interessante a preocupação do DM com a queda do Euro - porque, evidentemente (nisso estão de facto muito certos), a queda do Euro será uma "calamidade" (também) para a Inglaterra. Se os ingleses fossem todos como do DM concluir-se-ia que não passam de uns cretinos que só se preocupam (agora) com aquilo que sempre tentaram destruir, porque, de repente, aperceberam-se do desastre que isso significará para eles próprios. Na realidade a sua "estadia" na UE pautou-se sempre por estes princípios de hipocrisia misturada com egoísmo, bem patente no argumento do Tony Blair para os convencer a ficarem na UE: "é melhor estar dentro do que fora porque se estivermos dentro podemos sempre influenciar as coisas a nosso favor". Argumento pelo menos honesto, transparente e cristalino.

Nota 1: o DM também "informa" que a Inglaterra já se está a preparar para a "catástrofe" que será o colapso do Euro... Mas a "cereja" está algures quando se afirma que quanto mais se prolongue a agonia do Euro mais tempo terá a Inglaterra para se preparar para o seu colapso, ou seja, mais tempo terá para se ver livre dos "activos tóxicos" da zona euro... Evidente, lógico e esclarecedor. Assim se percebe o "agora" do DM: o DM deseja que o Euro seja salvo agora, ou seja, por agora.

Nota 2: se eu fosse inglês e pudesse optar por não apoiar um país como Portugal, conhecendo-o bem (porque não posso falar dos outros que conheço mal), a decisão seria obviamente não apoiar: se os seus políticos são assim tão corruptos pois façam o que os Líbios fizeram ao Gadaffi, em vez de lhes permitirem irem estudar para a Sorbonne; era o que faltava pôr o meu dinheiro nas mãos desses corruptos, pensaria eu. Se fosse inglês e conhecesse (bem) Portugal e os portugueses, bem entendido.

Nota 3: UK tem graves problemas sociais devido à brutal desigualdade que existe neste "liberal sistema", não sendo de prever um futuro bonito dada a potêncial conflituidade que não cessa de aumentar na sociedade britânica.

Nota 4: apesar de tudo parece existir uma espécie de vontade colectiva forte, mesmo na Alemanha, para que o Euro não desapareça, não se sabendo como ele se irá manter e quem o irá manter...

Mensagens populares