Um resgate "anti-democrático"

O influente diário norte-americano "The New York Times" (NYT) resolveu, esta semana, "intervir" no curso do resgate português pela troika Bruxelas/BCE/FMI. Considerou, preto no branco, em editorial de 14 de abril, que faltará "legitimidade" democrática ao pedido de apoio financeiro e às negociações por parte de um governo de gestão. Além do mais, junto dos mercados, este resgate terá um problema: "Faltar-lhe-á credibilidade junto dos investidores, que suspeitarão que o próximo governo [que sair das eleições de 5 de junho] poderá não estar à altura" para aplicar um pacote que será muito doloroso.

Barroso responde à letra

O NYT propunha, por isso, "um empréstimo intercalar" de curto prazo por parte da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI). O Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, veio, logo, esclarecer que essa possibilidade está fora de jogo, procurando colocar um ponto final na questão.

Com o compasso de espera - através do empréstimo intercalar para as necessidades de financiamento e refinanciamento até final de junho, incluindo o vencimento de dívida a 15 de junho -, o NYT alega que os eleitores poderiam através do voto expressar a sua opinião sobre as propostas de cada partido para o período de emergência. Caberia ao futuro governo, saído dessas eleições, negociar, depois, o pacote. Só, assim, poderá resultar um acordo com a troika "que o novo governo e os eleitores possam apoiar - e em que os credores acreditem".

A polémica sobre a reestruturação da dívida grega

O "The New York Times" levanta, ainda, outra crítica à atual orientação de Bruxelas e de Frankfurt (onde está sediado o Banco Central Europeu) que tem imposto nos pacotes de resgate políticas que não deixam margem para o crescimento económico.

Além do mais, apesar da dureza da austeridade, a política dos resgates não tem acalmado os mercados financeiros onde corre cada vez com mais força a ideia de que, a começar pela Grécia, terá de se proceder a reestruturações das dívidas soberanas.

Esta semana multiplicaram-se as vozes por e contra a probabilidade de uma re-estruturação da dívida grega com um impacto muito negativo no mercado financeiro.

O risco de bancarrota da Grécia subiu para níveis jamais atingidos, na casa dos 63%, e os juros, já altos, dispararam. Uma sondagem da Reuters junto de analistas dava a reestruturação da dívida helénica como certa para 60% dos respondentes. A hipótese de o mesmo acontecer na Irlanda recolhia 40% das opiniões e de vir a ocorrer em Portugal teve o voto de 30%. expresso.pt

Nota: "o influente diário norte-americano" é paleio da treta, à portuguesa, cheio de berloques e desprovido de conteúdo. Todos conhecemos o NYT muito bem. Não necessitamos da vossa introdução cheia de pompa. Poupem-nos ás vossas portuguezises imbecis.

Nota 2: já agora, com todo o respeito pelo "influente diário norte-americano", a reestruturação da dívida grega é somente uma questão de tempo. E de Portugal a ver vamos...

Nota 3: quanto aos "mercados" que não se acalmam... eles acalmar-se-ão, definitivamente, se a UE, especialmente a Alemanha e a França, com os BRICS (o que não impede que continuemos a criticar, cada vez mais, a falta de democracia na China e na Rússia, e a corrupção que mina a democracia indiana: porque a corrupção é um problema tão sério como a falta de democracia) algum dia tiverem a coragem de os esvaziar totalmente de importância. Até lá, com ou sem resgate, eles nunca se acalmarão.

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