Jornalista ameaça ex-casapiano

Para Américo, este número não é novo. Despachou o jornalista, mas este avisou-o: «Eu não te faço mal, mas há quem possa fazer aos teus». Os anos deram-lhe calo e, antes de fechar a porta, Américo disparou: «Vieste aqui perder o teu tempo. Para isso têm de passar por cima de mim».
Desde que perdeu a segurança pessoal, Américo precaveu-se com três pit bull. Mesmo assim, não facilitou e ligou a Miguel Matias, advogado das vítimas da Casa Pia: «Como é que estes tipos sabem a minha morada?». O causídico, que neste processo anda de surpresa em surpresa, respondeu-lhe: «Para a próxima, lança os cães».

Passaram duas semanas. Esta terça-feira, Carlos Silvino surgiu na SIC - que começou a passar excertos de uma entrevista a Carlos Tomás, que seria publicada no dia seguinte na revista Focus. De um momento para o outro, Bibi deu o dito por não dito: afinal não é pedófilo, tão-pouco os seus co-arguidos no processo. E explica que disse o que disse de cada vez que a Polícia Judiciária lhe oferecia um copo de água. Disse o que disse porque, após ingeri-la, transpirava muito. Disse o que disse porque, em cada corredor da PJ, viu vítimas espancadas pelos investigadores: «Estava drogado e tive pena dos rapazes. Tive pena porque eles levavam porrada. Quando ia à PJ via 20 e tal nos corredores e dois com as camisas manchadas de sangue. Ouvi mesmo alguém dizer não é preciso a gente bater , quando estavam a ser interrogados».

Américo, hoje segurança, ri-se magoado: «Nunca me cruzei com ele na Polícia. Nunca fui espancado. Ou ele está louco ou há outros interesses por trás. Isto só se pode passar no nosso país. Qual é o comprimido que faz alguém mentir tantos anos e em tribunal, em frente a tanta gente?».


O jovem, uma das vítimas que implicou nomes como Carlos Cruz, Paulo Pedroso, Hugo Marçal e Ferreira Diniz, foi parar à Casa Pia de Lisboa com 13 anos. Juntamente com o amigo que hoje está preso no Brasil, condenado por ter sido mula de droga - tarefa que aceitou por apenas mil dólares -, a pretexto de ir ajudar Carlos Silvino, um dia foi atraído à garagem. A partir daí, a sua vida deu uma volta de 360 graus, tendo sido um dos alvos dos abusos sexuais praticados por Silvino.

No processo, o juiz Rui Teixeira colocá-lo-ia sob forte protecção policial durante seis meses, precisamente por ser uma das testemunhas-chave. Na entrevista, o ex-motorista diz agora que Américo nem sequer conhecia os outros arguidos, que ajudou a condenar em tribunal: «Esteve uma semana preso num reformatório na Graça, a passar fome, e quando foi ouvido em tribunal só dizia: Eu digo o que quiserem, mas não me mandem outra vez para a prisão . Isto tem de estar gravado. Se não está é porque alguém apagou. Além disso, prometeram-lhe dinheiro, o que veio a confirmar-se. Por dinheiro estes rapazes fazem tudo. Por alguma razão eles tiveram com protecção policial, não era por correrem perigo, mas sim porque a Catalina Pestana e o Dias André tinham medo que se os rapazes fossem pressionados pelos jornalistas acabariam por dizer a verdade». sol.pt

Nota: obviamente que eu vou acreditar num sujeito como o Bibi... Basta conhecer-se minimamente Portugal, tanto os "oligarcas" como o "povinho", para se saber que os casapianos foram de facto violados e sujeitos a um tratamento digno de ser julgado num tribunal marcial e tratado de forma equivalente a um crime de guerra. Porque a vida destes jovens foi e continua a ser uma guerra, culpa do Estado e de uns poucos "oligarcas" portugueses, que, em vez de os protegerem e educarem para um futuro digno, se serviram da sua debilidade para dar azo a gozos perversos e pervertidos.

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