Número de mortos no Rio de Janeiro sobe para 641

O número de mortes no Estado do Rio de Janeiro subiu para 641, refere um comunicado da Polícia Civil estadual, divulgado hoje pela imprensa brasileira.

O jornal O Estado de São Paulo afirma que o comunicado da Polícia Civil do Rio Janeiro, divulgado hoje pela manhã, informou que 641 corpos já foram resgatados na região serrana do Estado, sendo 271 em Teresópolis, 292 em Nova Friburgo, 55 em Itaipava (distrito de Petrópolis), 19 em Sumidouro e quatro em São José do Vale do Rio Preto. jn.pt (12h10m)


Indignação e perplexidade

Indignação e perplexidade sucedem-se: como é possível que a Austrália esteja inundada e morram 27 pessoas e nas serras do Rio uma chuva brutal faça desabar os morros e morram 538?

"É um absurdo o que se gasta de dinheiro neste país em coisas absolutamente supérfluas, e não se gasta dinheiro em prevenção", desabafa ao PÚBLICO Sergio Bruni, vice-reitor da Pontífica Universidade Católica do Rio de Janeiro, que conseguiu sobreviver aos desabamentos junto à sua casa de férias, em Teresópolis. "Estamos atrás do Uganda nisso, ao mesmo tempo que somos a oitava economia do mundo. Não consigo entender. Se avisassem com antecedência, a gente teria saído antes. Depois, não adianta. Falta um sistema de prevenção sério."

Sobretudo tendo em conta esta herança: "Usam-se politicamente as pessoas menos favorecidas, autorizando a construção nas encostas, e isso é crime. Perde-se a vida, mas não se perde o voto. Então a gente vê isto, gente morrendo, saindo só com a roupa no corpo."

Casas em área de risco são "a regra e não a excepção", admitiu anteontem a presidente Dilma Rousseff, depois de sobrevoar a região atingida. E reconheceu: "Houve no Brasil um absoluto desleixo em relação à população de baixa renda, que como não tinha onde morar foi morar em fundo de vale, beira de rio, beira de córrego e encosta de morro. Vimos regiões onde as montanhas se dissolveram, sem presença do homem, sem nenhuma ocupação irregular. Mas vimos também regiões onde a ocupação irregular do solo provoca danos à vida e à saúde das pessoas. Chuva forte e deslizamento vão existir. Nossa missão é evitar que mortes aconteçam."

Não se trata de falta de dinheiro, porque os dados que agora estão a emergir mostram como o Brasil tem gasto muito mais a remediar do que a prevenir: segundo a Organização não Governamental Contas Abertas, o país gastou 167,5 milhões de reais a prevenir e 2,3 mil milhões a remediar.

Ou seja, a prevenção teria saído 14 vezes mais barata.

Porque é que a fortíssima chuva que de terça para quarta-feira derrubou morros em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo não causou mortos nas favelas do Rio?

Porque a cidade do Rio de Janeiro começou a prevenir há vários anos, diz o arquitecto Manoel Ribeiro, interventor em favelas desde os anos 90. "Há um historial de deslizamentos nas encostas, mas os técnicos da GeoRio fizeram um trabalho extraordinário nas favelas, de contenção e drenagem, e há 15 ou 20 anos que não ocorrem deslizamentos. Mesmo agora, com estas chuvas, você vê que não há." publico.pt

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