Uma história trágica (entre muitas)

Contou-me um médico vilarealense que há poucos anos atrás uma jovem foi dez (10) vezes à polícia queixar-se das ameaças e perseguições de um sujeito que dizia ser seu namorado. Dez vezes pediu protecção mas acabou por morrer com dez (ou doze...) facadas desfechadas pelo assassino (que parece ser de uma aldeia chamada Abaças).

Esta história trágica relembra-nos - no ano em que 41 mulheres foram assassinadas pelos "companheiros" (irónica designação que os "média" portugueses encontraram para chamar os assassinos) - que o Estado português não funciona (ou só funciona para e em função das oligarquias dos vários poderes e das opacas negociatas de Estado que arruinaram o país), e que o "sistema democrático" fracassou espalhafatosamente. A democracia é um sistema brilhante. Infelizmente Portugal não se adapta a brilhantismos, acabando sempre por os perverter.


Leis por medida

Têm os partidos políticos o esquisito privilégio de decidir em causa própria, determinando, por exemplo, quem lhes suporta as despesas e lhes paga os calotes. E, sabendo-se que na redacção da nova lei de financiamento partidário esteve envolvido o deputado Ricardo Rodrigues, do PS, o da "acção directa" sobre gravadores alheios, não surpreenderá que ela preveja a "acção directa" sobre o Orçamento de Estado para pagamento das tropelias financeiras de partidos e seus dirigentes.

Assim, a partir de agora e de Ricardo Rodrigues (e, faça-se-lhe justiça, de Luís Montenegro, do PSD), quando um dirigente partidário atropelar a lei e for, em virtude disso, punido pelo Tribunal Constitucional, passa a poder meter o custo da coima nas "despesas" do partido a facturar, ao menos parcialmente, aos contribuintes.

Por outro lado, a nova lei (que mereceu o canónico "contrariado mas promulgo" do actual PR) permitirá ainda que os partidos aceitem donativos dos seus candidatos a deputados, abrindo as portas ao mercado, que se adivinha florescente, da compra e venda de lugares elegíveis. Talvez, quem sabe?, vejamos em breve por aí anúncios do género: "Seja deputado da Nação pelo preço X, o mais baixo do mercado; descontos para grandes quantidades".

E talvez comece a ficar mais em conta, aos grupos económicos do regime, ter empregados a tempo inteiro na AR do que em eventual regime de prestação de serviços. Manuel António Pina, jn.pt, 28 dez

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