Contactos que Sócrates negou na AR

José Sócrates fez declarações no Parlamento em 30 de Janeiro de 2008 que contradizem o conteúdo do telegrama da embaixada dos EUA em Lisboa, datado de 19 de Outubro de 2006, que a Wikileaks ontem revelou.

O primeiro-ministro garantiu no plenário que "nunca aconteceu termos sido consultados e termos autorizado" [o transporte de prisioneiros de Guantánamo cruzando o espaço nacional] mas o telegrama mostra que pelo menos a consulta existiu.

O telegrama confirma que houve contactos entre a administração dos EUA (na altura o Presidente era George W. Bush) e Lisboa para assegurar a passagem por território português de prisioneiros de Guantánamo. A Wikileaks terá ainda mais cerca de 70 telegramas da embaixada dos EUA em Lisboa sobre o tema "terrorismo".

No documento, afirma-se expressamente que houve um pedido ("request") dos EUA ao Governo português para "repatriar presos de Guantánamo através das Lajes". Acrescentando-se que que o MNE português Luís Amado está numa posição de "delicado equilíbrio": por um lado, "minimizar danos" para o seu Governo resultantes das críticas dos média e da oposição; por outro, "convencê-lo" a dar uma resposta positiva aos pedidos americanos. No telegrama afirma-se também que a lei portuguesa exige garantias escritas de que os presos não possam ser torturados nem condenados à morte. É também dito que o "GOP" (Partido Republicano dos EUA) esperava "sem dúvidas" que o assunto fosse tratado numa reunião que teria lugar dias depois, 24 de Outubro, em Washington, entre o chefe da diplomacia portuguesa e a sua (então) homóloga norte-americana, Condolezza Rice.

No plenário da AR, 15 meses depois, em Janeiro de 2008, questionado por Francisco Louçã (BE), Sócrates foi absolutamente categórico: "Nunca nenhum membro deste Governo, nunca este Governo foi informado ou recebeu qualquer espécie de pedido de autorização para sobrevoo do nosso espaço aéreo, ou para aterragem na Base das Lajes, de aviões que se destinassem ao transporte ou à transferência de prisioneiros. Nunca aconteceu neste Governo, nem temos no Ministério dos Negócios Estrangeiros registo que possa indiciar que essa consulta existiu no passado." dn.pt, 2 dez

Nota: mas que coisa mais estranha, que perturbante surpresa, José Sócrates ser apanhado a mentir...

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