A farsa da UE

A actual "estabilidade" da UE assenta em duas coisas: a PAC e o "cheque britânico", estratagemas do depois do pós-guerra para a Alemanha continuar a pagar à França e à Inglaterra. A PAC subsidia os agricultores europeus, impedindo qualquer competitividade genuína. A França é a maior beneficiária enquanto Estado, por isso não quer nem ouvir falar na reestruturação da PAC. O maior beneficiário individual é a rainha de Inglaterra, porque é a maior proprietária de terras na UE. Aberrante! Indecente!

O "cheque britânico" é a forma que os ingleses conseguiram de estar na UE a pagarem quase nada, dizendo que contribuem muito. Basicamente, através do "cheque britânico" os ingleses recebem de volta quase toda a contribuição que dão para a UE. Assim estão dentro da UE contribuindo uma insignificância e até conseguiram pôr a lady qualquer coisa como chefe da diplomacia da mesma.

Enquanto não se acabar com a PAC e especialmente com o "cheque britânico", a UE não passará de uma estúpida farsa, paga especialmente pela Alemanha, Holanda e Finlândia.


Uma moeda sem Estado não é sustentável

Poucos duvidavam da dedicação de Tommaso Padoa Schioppa ao projecto do euro, mas no Verão passado ele fez questão de voltar a demonstrá-la.

Ao ver a moeda única a atravessar a maior crise desde o seu lançamento em 1999, este economista italiano de 70 anos não hesitou em disponibilizar a sua ajuda ao governo grego, sob a forma de consultoria financeira e sem receber qualquer tipo de pagamento.

Ontem, morreu, vítima de ataque cardíaco, sem saber como é que o "seu" euro irá comportar-se perante a crise. Poucos dias antes tinha deixado um aviso. Numa entrevista, afirmava que os mercados têm razão em não acreditar que "uma moeda sem um Estado possa ser sustentável para sempre".

Padoa Schioppa, um dos arquitectos da moeda única europeia e uma das figuras da economia italiana mais respeitadas mundialmente, foi hospitalizado após um jantar com amigos, de acordo com um dos presentes, o seu adjunto no Governo italiano Vincenzo Visco, e morreu depois na sequência de um ataque cardíaco.

Cumpriu um mandato de sete anos no Banco Central Europeu (BCE), entre 1998 e 2005, onde foi um dos seis responsáveis (os membros do conselho executivo do Banco Central Europeu) que guiaram o euro nos primeiros anos após a sua criação.

Já depois disso, Padoa Schioppa foi nomeado em Itália ministro da Economia em 2006, sob a égide do então primeiro-ministro italiano Romano Prodi, para responder à situação de crise económica e orçamental grave que se vivia no seu país.

No Verão, o Governo grego pediu a colaboração de Padoa Schioppa para ajudar o país a superar a grave crise financeira que atravessa e que obrigou inclusivamente o país a pedir apoio financeiro à comunidade internacional, que chegou através de fundos dos restantes países do euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Este economista, considerado um dos melhores de Itália, dicidiu aceitar o pedido de ajuda da Grécia a título gratuito, sem qualquer remuneração. "Sou independente, não tenho conflitos de interesses e não vou ser pago pelo que vou fazer", disse Padoa-Schioppa acerca da sua nomeação, numa entrevista à agência Bloomberg em Milão, no início de Agosto, acrescentando que ia avaliar o sucesso da sua nova função pelo eventual crescimento da economia grega e melhoria da crise no país.

Antigo director-geral de Economia e Finanças da União Europeia, entre 1979 e 1983, vice-director-geral do Banco de Itália de 1984 a 1997 e membro do comité executivo do BCE entre 1998 e 2006, Schioppa tinha um currículo de 37 anos de serviço público, que se iniciaram justamente no Banco de Itália, em 1968. Pelo caminho, ajudou a Itália a baixar o seu défice público, com vista à sua participação no euro.

Na semana passada, tinha sido nomeado membro da administração de uma unidade da Fiat SpA, a Fiat Undustrial, que está para entrar em bolsa.

O presidente do BCE, o francês Jean-Claude Trichet, disse ontem, reagindo à morte de Tommaso Padoa Schioppa, que a "união monetária europeia perde um homem de reflexão, de acção e de visão, plenamente devotado à unidade europeia".

"Apreciamos todos a sua inabalável devoção, o seu profissionalismo e a sua excepcional contribuição para o estabelecimento e a consolidação do BCE e do eurossistema", acrescentou, num comunicado por si assinado em nome da instituição, saudando a memória de "um muito próximo antigo colega e amigo". publico.pt, 20 dez

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