Um Estado que não parece emagrecer

Um total de 270 nomeações em mês e meio, 45 por semana. Por mais justificações e explicações que sejam dadas para a colocação destas pessoas em cargos do Governo e da administração directa e indirecta do Estado, é difícil fazer os portugueses compreenderem as razões destes números. Nos últimos anos e, sobretudo, nos últimos meses, têm sido sucessivos e contínuos os apelos para o emagrecimento do aparelho de funcionamento do Estado. E tem sido repetida essa garantia como uma das peças fundamentais para o controlo da despesa pública.

Não têm faltado, aliás, anúncios de medidas que travam a contratação de novos funcionários públicos. A cada duas saídas, uma entrada, foi a promessa do primeiro governo de José Sócrates. Uma contratação por cada três "baixas" foi o agravamento decidido nas primeiras medidas de austeridade.

Não se compreende, pois, de forma alguma, os números agora conhecidos e publicados oficialmente em Diário da República, como ontem o DN noticiou em manchete. Estamos a falar de contratações galopantes, que batem as médias dos últimos anos deste Executivo e os dos últimos governos, e que acontecem já depois do anúncio dos últimos cortes e das medidas mais drásticas contra a grave crise nacional.

Dizer que a maioria destas nomeações feitas após o PEC III são meras substituições por concurso público deixa tantas ou mais interrogações. O que os portugueses que perderam o seu emprego querem ouvir é que o Estado pode subsistir com menos pessoas. E o que ouve é que há uma "necessidade de reforçar a equipa de assessores".

Esta e outras notícias semelhantes - como as Forças Armadas e a GNR ficarem fora do congelamento de promoções e de o Estado ter promovido 233 funcionários porque "os concursos já estavam em curso" - revelam, pelo menos, falta de coragem e bom senso. Mas levantam muitas outras dúvidas e questões graves. dn.pt, 15 Nov


Mais Vara

A circulação de 1,5 milhões de euros pelas contas de Armando Vara, de uma gestora bancária e de um empresário da noite lisboeta levou o Ministério Público (MP) de Aveiro a abrir um novo inquérito contra o ex-ministro socialista por suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais. Em causa está a compra e venda de três imóveis, com contornos rocambolescos. sol.pt, 15 Nov

Nota: entretanto continua tranquilamente a receber o seu ordenado dourado de administrador do BCP...

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